Após uma série de quedas vertiginosas há alguns meses, as bolsas de valores do planeta começaram a voltar aos patamares pré-crise. Algumas empresas não param de bater o topo histórico (maior preço da sua ação na história) dia após dia. Isso levantou o debate entre a Economia real x Bolsa de Valores. Enquanto a Economia real continua aos trancos e barrancos, os principais índices da bolsas de valores do Brasil e EUA não mostram essa realidade. Além da sempre presente pergunta: “E o dólar?”

Pode parecer uma eternidade, mas há apenas 3 meses o mundo estava em completo pânico causado pela pandemia do Covid-19. Bolsas de valores estavam derretendo, papel higiênico e álcool em gel haviam sumido das prateleiras, risco de desabastecimento de comida e água, o mundo parecia passar por um apocalipse. Alguns afirmavam com convicção que teríamos 1 milhão de mortos apenas no Brasil e outras dezenas de milhões no mundo.

Hoje, apesar de ainda estarmos em um cenário pandêmico e a situação continuar ruim para muitos, vimos que a realidade apocalíptica não se concretizou. Sim, tivemos muitos mortos, doentes, cidades em colapso na Saúde mas muito longe do que previsto há alguns meses. Pelo menos, até agora. Já que sempre há o medo da 2ª onda de infecção.

Como isso reflete nas bolsas de valores mundiais? A bolsa de valores é sempre expectativa para o futuro. Lembre-se de todas as grandes quedas e altas dos últimos anos, sempre é com base na expectativa do futuro. Quer ver?

  • Empresário do setor de proteínas tem áudios comprometedores do presidente da república. Resultado: Queda de 10% na bolsa e expectativa de um segundo impeachment em poucos meses.
  • Novo vírus ameaça destruir a Europa. Itália já tem milhares infectados. Resultado: Seguidos circuit breakers. A expectativa é que o vírus se alastre e milhões sejam mortos até o final do ano.
  • Curva de contaminação começa a achatar e países começam a planejar a flexibilização do isolamento. Resultado: Bolsa em alta. Expectativa que as pessoas voltem às ruas para trabalhar, comprar e terem suas vidas “normais” novamente.
  • Empresa afirma ter descoberto a vacina para o Covid-19. Resultado: Bolsas mundiais em alta. Expectativa que a vacina será a bala de prata que acabará com todos os problemas.
  • Facebook lança pagamento via WhatsApp, empresa brasileira será a responsável pelas transações no país. Resultado: Ação da empresa sobe cerca de 30% em poucos dias. Expectativa é que muito dinheiro seja gerado via porcentagem em cada transação.

Quando há algum fato que mude a expectativa do futuro, a bolsa irá imediatamente subir ou cair. Não há como prever isso. Quando o fato acontece, a euforia e ansiedade são muito grandes na bolsa. Se você tentar entrar nessa, será engolido facilmente e acabará perdendo tempo precioso da sua vida indo atrás de preço-alvo. Como a expectativa hoje é de recuperação da economia, as ações voltam a subir. Se acontecer algum fato (ou uma série de fatos) que mude essa expectativa, as ações irão naturalmente cair.

Se você for um investidor (aquele que só pensa na bolsa no longo prazo) e faz aportes periodicamente, não fica vendendo em qualquer sinal de alta ou baixa, essas oscilações de curto prazo são irrelevantes. Mantendo-se sócio de boas empresas você verá suas ações ficarem cada vez mais valorizadas quanto maior o tempo que você continuar dono delas.

Todo o dinheiro que você tem na bolsa de valores atualmente é o preço de hoje do que será daqui a 20 ou 30 anos. O dinheiro que você tem em ITUB, por exemplo, é o que você paga hoje para o futuro da empresa. Você está comprando dinheiro de 2050 pelo preço em 2020. Você está pagando por tecnologias, estratégias de mercado, aquisições e inovações sem que elas sequer existam ainda.

Podemos notar nas figuras logo abaixo o resultado do pânico mundial lá em março. Hoje, os principais índices e muitas empresas, principalmente as de tecnologia, já voltaram para o patamar anterior de preços. Claro que há as exceções, como as empresas aéreas, de turismo e varejo. Mas no longo prazo, se elas continuarem retornando valor para seus acionistas, o preço das ações só tem um caminho: para cima.

Veja o gráfico do índice americano S&P500, que corresponde às 500 maiores empresas listadas nas bolsas dos Estados Unidos.

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Gráfico S&P500 desde 2015 (Fonte: Google)

Exemplo de uma empresa que não parou de subir, a Apple. Mesmo tendo fechado todas as suas lojas no planeta, continuou gerando receita através de serviços e vendas on-line.

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Gáfico da AAPL desde 2015 (Fonte: Yahoo Finance)

Aqui no Brasil começa-se a notar também essa retomada. Mas como o ibovespa é muito concentrado em poucas empresas e a maioria delas atua principalmente no cenário nacional (América Latina, no máximo), estamos muito suscetíveis a problemas gerados pelas incertezas políticas do nosso país, que foram muitas ultimamente.

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Gráfico do ibovespa desde 2015 (Fonte: Google)

Quem não vendeu e continuou comprando ações de boas empresas com preço descontado se deu bem.

E o dólar?

Tudo mundo fala que o dólar está alto desde os R$3,50. Hoje está na casa dos R$5,32 e continua alto. E vai subir cada vez mais. Esse é o reflexo da diferença do crescimento da economia do Brasil e dos EUA. Enquanto o Brasil continuar sendo um poço de incertezas politicamente e economicamente, o dólar continuará alto. Não faz sentido comparar a força da maior potência econômica e militar do planeta com a do nosso país. Nosso grau de investimento internacional é pior do que o de países como: Azerbaijão, Colômbia, Chipre, Cazaquistão e Paraguai.

Você colocaria seu dinheiro na bolsa de valores do Cazaquistão? O investidor internacional prefere colocar seus dólares lá, e não aqui.

Curiosidade: O índice KASE (Kazakhstan Stock Exchange) subiu e está quase no mesmo patamar pré-crise.

No longo prazo, o dólar sempre se valorizou frente ao real. Basta ver o gráfico histórico de apenas 5 anos:

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Gráfico de cotação do dólar comercial desde 2015 (Fonte: UOL)

Como Warren Buffet repetiu na última conferência da Berkshire Hathaway:

Never bet against America. (Nunca aposte contra a América)

Finalizo esse artigo (depois de um grande hiato no site) com o mesmo conselho que dei alguns meses atrás.

Independentemente da bolsa estar caindo, subindo, do mundo estar acabando, do mundo estar voltando ao normal, você tem que: continuar cuidando da sua saúde e da família, trabalhando e se especializando. Quando você tem pelo menos R$1.000,00 livres mensais, você começa a investir periodicamente, todo mês, todo mês. Sem olhar o preço.

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