Desde o Carnaval, a mídia que se diz especializada está noticiando incessantemente notícias do novo apocalipse, das quedas brutas na bolsa, de crises mundiais. Se você está atolado nessas notícias e está nervoso com seus investimentos, creio que precisa repensar a sua vida financeira.

Como já escrevemos em textos anteriores, o dinheiro dos seus investimentos é para te dar paz e tranquilidade na vida. Para que no futuro você não dependa da previdência pública e nem privada de bancos e também seja capaz de comprar seus bens (carro, casa ou eletrodomésticos) sem precisar pedir dinheiro emprestado. Acompanhar notícias só vai te deixar em pânico, achar que o mundo está se acabando e que seu dinheiro vai virar pó do dia para noite.

Quando temos situações assim, há dois caminhos:

  1. Turbulência, mas volta ao normal eventualmente

Isso foi exatamente o que aconteceu em todas as crises financeiras desde 1929 (a primeira grande crise no mercado de renda variável), parecia que o mundo ia acabar, não havia mais esperanças, manchetes dos jornais anunciavam o fim dos Estados Unidos. Algo bem parecido com o que acontece hoje.

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As pessoas estão em pânico por causa dessa queda em vermelho (Fonte: Macrotrends)

Os EUA passaram por crises, duas guerras mundiais, guerra fria, guerra do Vietnã, guerra no golfo pérsico, ataques terroristas que iam desencadear a terceira guerra mundial, invasão ao Iraque e crise de 2008. Mesmo assim, o mercado de renda variável nos EUA rendeu, em média, 9,9% ao ano nos últimos 120 anos.

Por que isso?

Os EUA ainda continuam sendo o lar das maiores empresas do planeta. Tirando algumas exceções asiáticas (Alibaba, por exemplo), as maiores empresas do mundo são americanas: Apple, Microsoft, Disney, Walmart, Amazon, Alphabet (Google) e Facebook. É isso que importa. 

Mesmo passando por essas crises ao logo de 120 anos, as boas empresas continuam gerando valor para o acionista. O mesmo aconteceu aqui no período da bolsa em baixa nos anos 2013-2016, as boas empresas continuaram lucrando, gerando valor para o acionista e pagando dividendos. Só que a cotação estava lá embaixo porque todo mundo achava que o Brasil iria acabar por causa das notícias apocalípticas da política. Veja o gráfico desde 1995 do iBovespa (é um índice muito concentrado em empresas do setor financeiro e commodities, mas dá pra ter uma noção):

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Gráfico ibovespa desde 1995, quando houve a adoção do Plano Real (Fonte: TradingView)

Se você tinha ações nesta época de baixa e não vendeu, provavelmente hoje você está em uma situação financeira muito confortável, mesmo que a bolsa caia 50% hoje, você ainda tem rentabilidade positiva. O gráfico acima mostra isso, essa queda hoje não é nada ao longo de 30-35 anos de aportes constantes. Até mesmo a queda de 50% na crise de 2008/2009 deixou o índice acima do valor de apenas 3 anos antes e rapidamente voltou ao patamar pré-crise.

Mesmo que você sinta-se bem por ter “comprado barato” nesses últimos dias, saiba que no longo prazo isso é indiferente, um aporte será uma parcela muito pequena do seu patrimônio. Haverá aportes “baratos” e “caros” ao longo do tempo.

No longo prazo, manter suas ações faz toda a diferença. Essas quedas são irrelevantes para o sócio, ainda mais se você fizer aportes mensais e periódicos. Por isso, você não deve se preocupar com essas “quedas apocalípticas” que acontecem frequentemente, cuide da sua vida profissional, da sua família e da saúde e continue aportando. Bolsa é tranquilidade.

2. A situação piorar e o mundo acabar

Se o mundo realmente acabar por conta da gripe do frango, gripe suína, ebola, peste negra, febre amarela, meningite ou coronavírus, a menor preocupação que você terá na sua vida será com seus investimentos. Sobreviver será seu único objetivo.

Nessa hora, ninguém lembra de bolsa ou de quantos % do CDI a carteira rendeu.

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