Há algum tempo, quando a série de renda variável era só um plano para a gente, me vi em um debate com um colega sobre “perfil de investidor”. Falando da categorização mais comum, temos: Conservador, Moderado e Arrojado/Agressivo.

Essas categorias definem aproximações de comportamento de investidor, e um único investidor pode transitar por elas:

  • Conservador: buscam investimentos com mínimo risco, mais tradicionais e visando a manutenção do patrimônio e, principalmente, segurança a curto e longo prazo.
  • Moderado: concentram a maior parte de seus investimentos em aplicações conservadoras, mas arriscam parte de seu dinheiro visando ampliar os lucros a longo prazo.
  • Arrojado/Agressivo: Com foco na maximização dos lucros, aceitam mais riscos e têm foco em renda variável.

Na discussão, mencionei que era bem moderada. Não abria mão da segurança da renda fixa para a maior parte dos meus investimentos, mas não deixava de arriscar um pouco e aproveitar as movimentações da renda variável. O meu colega falou algo como “o negócio é investir em ações, tem que ter coragem. Meu perfil é bem mais agressivo, gosto do risco”. Achei interessante e perguntei se não doía o coração quando uma ação caia. A resposta foi “não sei, ainda não comecei”. Anotei esse diálogo para voltar aqui e alertar um pouco sobre esse tipo de hype. Essa ideia de que investir em ações é o “último patamar” da vida do investidor pode ser bem ardilosa. Ele acreditava que era corajoso e estava disposto a se colocar no limite, mas não sabia de fato o que sentiria ao ver tudo dando errado. Talvez esteja adiando o início de seus investimentos inconscientemente, por não se sentir pronto de algum modo.

Todos nós sentimos um frio na barriga interessante quando imaginamos um cassino, um prêmio de loteria, uma aposta que deu certo. Mas o cenário contrário acaba levando muita gente a preferir gastar do que investir e perder. Perfil de investimento não é definido por “eu queria comprar uma ação que me deixasse milionário”.

O perfil de investimento de alguém é muito mais regido pelo conhecimento.

Muitos investidores arrojados começaram como conservadores e encontraram estabilidade antes de começar a aceitar riscos. Outros deixaram de ser arrojados para buscar um estilo de vida mais calmo, longe das constantes flutuações do mercado. Outros fazem fortuna e vivem toda a sua vida como moderados. Isso é definido pela prioridade de cada pessoa e pelo tipo de investimento que se encaixa melhor no estilo de vida de alguém. O que todos eles têm em comum? Tomaram as decisões que os tornaram alguém naquele perfil baseados em toda a experiência e estudo da situação econômica, da análise de empresas, fundos e tudo mais. Não unicamente pelo frio na barriga ao imaginar um gráfico disparando em subida histórica. Esse frio também deveria estar lá, mas ele estava lá alimentado pela consciência de que era uma possibilidade palpável.

O seu perfil é muito mais do que uma ideia que parece muito boa na sua cabeça, mas que na realidade tiraria a sua paz se desse errado. Se você não teria o que comer e onde se abrigar caso perdesse tudo, por que arriscar tudo? Se você tem uma boa reserva de emergência e um bom salário, por que não arriscar um pouco e tentar se aposentar mais cedo?

Você construirá seu perfil diariamente, e ele poderá mudar várias vezes junto com você. E acima de tudo, você saberá e poderá lidar com todos os percalços da escolha que fizer. Continue estudando enquanto segue o que te causa esse frio na barriga.

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