No último texto que escrevi para essa série, falei um pouco sobre os riscos de investir em ações. Por incrível que pareça, os nossos medos em relação a algo nem sempre estão completamente relacionados aos riscos mais iminentes que este algo apresenta. Hoje, resolvemos trazer uma perspectiva mais pessoal. Tentarei compartilhar um pouco do sentimento que tenho quando abro a página da minha corretora e trago a minha estratégia de compra para a realidade.

Há 7 anos, fiz meu primeiro investimento em renda fixa da vida. Há pouco mais de 1 ano, fiz o meu primeiro investimento em renda variável. Essa distância de tempo foi motivada por uma única razão: medo.

Eu tinha uma “ótima” desculpa: ainda não estudei o bastante.

Mas, ao mesmo tempo, eu não estudava mais e não fazia testes práticos na área (aqueles que formam nosso caráter, sabe?) por puro medo. E me colocava no ciclo “não invisto pois não sei o bastante, não me disponho a saber o bastante por medo de errar”. Só quando eu compreendi que eu ia errar e que isso ia ser a melhor experiência possível para o meu aprendizado, eu dei o primeiro passo: comprei ações.

E depois desse dia, mensalmente, a passos de formiga, eu abria a página de operações, adicionava alguns ativos após pesquisar bastante sobre eles e sempre que recebia algum dinheiro, fazia os aportes.

O nível de conhecimento mudou muito de 1 ano para cá. O sentimento de que eu não sei de nada ao sentar de frente ao computador e distribuir meu dinheiro em lotes ou frações (enquanto assisto uma setinha vermelha piscar) ainda não mudou tanto assim. Mas que medos são esses?

  1. O primeiro de todos: perder dinheiro. E olha que isso nunca aconteceu. A gente se acostuma um pouco a ser cauteloso com a renda fixa e, quando sai dos muros, a tensão é forte.
  2. O segundo: não saber a hora certa de vender. Olhar aqueles gráficos e lamentar por não ter “adivinhado” a curva certa para venda é parte de… ser humano.
  3. O terceiro: a incerteza. Existem vários indicadores para analisar a segurança e a tendência de crescimento de uma empresa. Apesar de todos eles, nenhum investimento é 100% garantido. Uma empresa que vai muito bem está sujeita a fatores como mudanças políticas, escândalos, catástrofes… coisas que levam o preço da ação ao chão. O que podemos fazer é minimizar esses sustos. O processo de lidar com eles tendo uma mentalidade de renda fixa é um desafio.
  4. Por fim, há também um medo menos técnico: apoiar empresas com uma cultura de que discordo. Costumo sempre pregar que não invisto para ser rica, mas que tento ficar rica para realizar as coisas que acredito, pois elas não são gratuitas, infelizmente. Esses desejos me aproximam de meus princípios, então procuro fazer com que o meio para alcançá-los (o enriquecimento) não me afaste deles. Se uma empresa me oferece grandes lucros e em troca me põe em um dilema ético, prefiro dispensar.

Para aplacar todos esses medos, há um caminho simples, mas não fácil: obter conhecimento, dedicar algumas horas ao estudo constantemente e enfrentá-los, aplicando tudo o que foi aprendido e em busca de aprender ainda mais com os erros cometidos ao enfrentá-los.

Vejo aprendizado na coragem de comprar frações arriscadas e também nos conselhos de Wagner quando conto alguma “loucura controlada” que cometi nos meus investimentos.

E assim, como em várias outras áreas na vida, vou deixando de agir movida pelo medo e começando a me mover e agir apesar dele.

 

 

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