Como vimos aqui, no primeiro texto da série de renda variável, o termo variável indica que pode variar para cima e para baixo. Portanto, há a chance (relevante, diferentemente da renda fixa) de perder dinheiro. Esse artigo é para explicar como isso acontece na compra e venda de ações (também conhecida como trade), uma das modalidades mais populares de investimento em renda variável.

Sempre que tenho alguma conversa sobre compra e venda de ações, escuto histórias mirabolantes de pessoas que transformaram centenas de reais em centenas de milhares ou até milhões de reais por comprar ações de uma empresa em uma baixa catastrófica, seguida milagrosamente de uma alta histórica. Em outras histórias, há pessoas que venderam todos os seus bens para comprar ações em busca de altas como nas histórias anteriores, mas acabam se deparando com a quebra das empresas em que apostaram.

Visando prosperar do dia para a noite, acabam caindo no efeito manada ou colocando todas as fichas (todas mesmo, inclusive o que já foi obtido por muito esforço) em investimentos muito arriscados. E para assumir um risco alto, temos que estar prontos para ganhar alto ou perder alto.

Apesar de o investimento por si só já ser de risco, pois empresas passam por crises, fecham, a economia sofre oscilação nos seus setores e muito mais, os riscos que enfrentamos ao investir em ações vão além dos riscos pontuais na escolha da ação:

  1. O conhecido “efeito manada”

Eu sempre considero esse o mais perigoso, com maior potencial de destruição, pois se batemos na mesma tecla sempre aqui nos artigos, insistindo que conhecimento é a mais poderosa arma com que você pode e deve se munir, tem um conjunto robusto de razões.

O efeito manada é, basicamente, fazer o que todo mundo está fazendo sem ter noção do real por quê.

Assim, você acaba entregando as rédeas de decisões importantes (como que ações comprar) na mão dos outros. Nem sempre o que todo mundo está fazendo é a melhor opção (quase nunca, na verdade).

É fundamental que, em cada investimento feito, haja a aplicação de todo o conhecimento possível, sendo necessário então fazer uma busca por ele anteriormente.

Veja aqui, aqui e aqui os reflexos desse efeito.

2. Ir de all-in em uma empresa 

Outra tecla em que estamos sempre batendo é: DIVERSIFIQUE!

Quando se faz uma aposta, existem probabilidades de ganhos e de perdas. Vender sua casa, carro e outros bens para aplicar em ações de uma única empresa esperando por um milagre pode dar certo, mas se der errado… será um desastre.

Riscos controlados sempre são bem melhores. Perdas aceitáveis, ganhos surpreendentes e você lidando bem com todos os resultados possíveis. Não bote todo o seu patrimônio a perder. É importante estar disposto a arriscar partes dele, mas isso deve ser feito com sabedoria.

3. Confundir baixas e falências

O gráfico daquela empresa despencou? Hora de comprar? AVALIE BEM!

Algumas baixas são características de alguns setores da economia, como serviços sazonais. Comprar na baixa aguardando a alta pode ser bom em alguns casos. Em outros, pode significar que a margem de lucro não tende a ser muito atrativa para se tornar sócio daquela empresa.

Outras baixas significam que a empresa está indo ladeira abaixo mesmo. Se você tem um pedacinho do seu patrimônio que não faria falta se fosse jogado no lixo, vale a pena fazer uma aposta, vai que ela se recupera e você lucra com isso? Caso contrário, é por sua conta e risco (longe de mim interferir no seu dinheiro, já tenho trabalho cuidando do meu).

4. Não ser contracíclico

Uns dos comportamentos de manada mais clássicos são: comprar ações -> ver seu valor caindo -> vender as ações no desespero e ver o valor alto -> comprar as ações -> o valor cair.

Vi isso acontecer com vários amigos naquele momento bem popular de criptomoedas.

Com ações, é importante ser contracíclico e na maioria das vezes remar contra a corrente.

5. Não estudar e pular etapas

Todo mundo tem o seu perfil de investidor. Uns mais conservadores e outros mais arriscados. Porém, todos precisam se informar e se capacitar para distribuir e gerenciar seus investimentos da melhor forma.

Se você não tem experiência com investimentos, pode tirar a sorte grande, mas não pode esperar que esse seja o único resultado possível.

Não siga apenas conselhos dos outros, estude, pratique, aprenda a filtrar indicações (muita gente por aí quer te transformar em uma sardinha) e não restrinja seus estudos apenas ao que é tendência no momento.

Lembre-se: educação financeira é um meio de reduzir riscos e ampliar ganhos. Mas acima de tudo é disciplina, organização e sabedoria na tomada de decisões. Esses elementos demandam tempo, estudo e aprendizado a partir de erros. Aproveite a jornada.

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