Eu tinha um texto preparado para hoje mas, enquanto preparava a postagem, me veio em mente que eu raramente coloco alguma coisa sobre educação financeira propriamente dita por aqui (acabo deixando a maioria do trabalho sobre esse tema para Wagner). Porém, um texto que era sobre tomar decisões acabou se tornando uma explicação de como os textos reflexivos sobre o comportamento humano têm tudo a ver com educação financeira.

Eu sou completamente fascinada por livros e quaisquer materiais que tratam da natureza humana, de psicologia, de personalidade, relações pessoais, autodesenvolvimento, maternidade… Tudo que está relacionado a questionar e destrinchar minunciosamente cada aspecto de nossa mente.

O esqueleto do texto de hoje estava nos seguintes tópicos:

  • Uma pessoa que cresce se sentindo fadada a suprir as necessidades dos outros terá sempre dificuldades em identificar e suprir as próprias necessidades. Uma criança educada nesses moldes tende a repetir os padrões na idade adulta e acabar em relações abusivas e co-dependentes. Direcionando os seus esforços apenas a agradar os outros, não compreenderá que seus padrões acabam caminhando exatamente para o contrário disso. (Infelizmente não encontrei a fonte desse texto)
  • Quando amamos alguém, desejamos proteger e aconselhar esse alguém, para que experienciem o mínimo de sofrimento possível em suas falhas. Porém, por melhores que sejam as intenções, a vida de cada indivíduo é episódica, isto é, mesmo que as pessoas sejam submetidas a condições iguais, os resultados não são necessariamente iguais. Se frustrar e tentar forçar alguém a viver de acordo com nossas experiências é algo perigoso e que coloca em você uma responsabilidade com a qual você não pode e não irá arcar. Vocês podem ler mais sobre esse tema em alguns textos aqui do blog: “Eu só quero o seu bem”, “O fractal de caos e empatia”, “Não é da minha conta” e outros.
  • O último é uma frase que vi pelas redes sociais: “Não tenham filhos se vocês não conseguem aceitar o fato que crianças crescem e se tornam pessoas que pensam por si próprias, tem suas próprias ideologias, sua própria sexualidade, preferências, crenças e valores. Ninguém deveria ser forçado e condicionado a se tornar uma versão dos pais, ou realizar os seus sonhos que foram perdidos.Se você tem filhos: Ame quem eles são. Não sua projeção sobre o que eles devem ser.” (Milena, de quem não encontrei a conta no Twitter).

Com esses textos, eu pretendia construir um artigo que tratasse sobre como nós precisamos aprender a tomar decisões e saber lidar quando essas decisões são boas, ruins, difíceis, proveitosas ou o que forem.

E então me perguntei se não deveria fazer algum texto falando sobre o cenário econômico e alguma técnica de como se organizar para passar por ele. Foi aí que lembrei (pois já tinha me dado conta anteriormente) que inteligência emocional tem tudo a ver com inteligência financeira.

Porque a Educação Financeira é basicamente o desenvolvimento de nossa capacidade de analisar, planejar, criar estratégias e colocar planos de curto e longo prazo em prática através do conhecimento e disciplina. E isso serve para uma porrada de coisas que começam na inteligência emocional (que é basicamente saber lidar com seus sentimentos e os sentimentos das pessoas ao seu redor), como convívio familiar, convívio no ambiente de estudo/trabalho, alimentação, exercícios, resolução de problemas e tudo que faz parte da vida.

Porque o mais importante não é ser capaz de nunca sair da linha. O mais importante é entender que com as ferramentas certas e esforço é possível comer direitinho na maioria dos dias, mas também entender que vai haver um dia em que você vai se sentir muito mal consigo mesmo e descontar tudo isso em uma bacia gigante de açaí com leite condensado ou em um(a) <insira aqui sua comida de conforto favorita>, mas que esses dias serão a exceção e que você pode até cair (e deve), mas vai passar por ele e voltar ao seu cotidiano de forma organizada e sem destruir todo o seu esforço por um tropeço.

E a comida foi só um exemplo. Vai ter dia que você vai gastar mais do que planejou para tentar tampar um buraco que não tem nada a ver com coisas materiais. Vai ter dia que você vai apelidar o seu sono com o nome de outros 300 sintomas para faltar alguma coisa importante. Isso é ser gente.

O importante mesmo é que a gente tenha espaço, ferramentas e suporte para que possamos estar cada dia mais preparados para decidir por nós mesmos, conscientes de que arcamos em conjunto com as decisões de cada indivíduo e compreendendo o valor e o peso de cada uma dessas decisões.

Portanto, lembre-se de que cada linha preenchida na sua planilha de gastos, cada moeda que foi jogada no cofrinho em vez de ser trocada por um café, cada centavo separado para suas férias, para sua velhice ou para seu dia seguinte, cada realização e cada aperto por que você passe tem tudo a ver com a sua relação com a tomada de decisões. Se pergunte: essa relação que você passou todos esses anos aprendendo (dos seus pais, da cultura o de onde quer que tenha vindo esse ensinamento) o aproxima ou afasta do que você acredita lá no fundo? Diante de sua resposta, qual o próximo passo?

Lembrando que a vida é episódica, desejo a todos boa sorte na tomada de decisões nessa jornada absurda e confusa entre nascimento e morte.

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