O texto de hoje vem junto com uma indicação. A reflexão sobre ele começou há muito tempo quando eu estava assistindo um stand-up na Netflix e vi uma frase que me impactou muito. O stand-up em questão era Hannah Gadsby: Nanette.

Em um dos momentos mais marcantes da apresentação, ela fala de etapas do seu crescimento em que foi ensinada que certos aspectos comportamentais e de personalidade são errados, pecado ou qualquer nomenclatura para o que é condenado pelo senso comum.

Cresceu enxergando que não ser heterossexual era um atalho para a tormenta eterna no inferno, aprendeu a odiar tudo que era criticado, e quando se viu portadora de algumas dessas características, percebeu que isso tornava quase impossível amar a si mesma, pois já odiava todos os atributos antes mesmo de se dar conta de que eram parte de quem ela era.

É muito difícil se aceitar e se amar quando você não preenche a checklist de propriedades do ser humano médio considerado ideal aos olhos do senso comum.

Mas para que serve preencher essa checklist se não é o que satisfaz os seus anseios?

Já me responderam essa pergunta com uma falácia muito fraca, dizendo: “então se a pessoa deseja matar, roubar, ela deve ir em frente?”. Que argumento mais vazio e fruto de pouca leitura. O comportamento pessoal que respeita a liberdade de outros indivíduos, além de ser mediado pelo consentimento quando envolve mais pessoas, jamais poderia ser comparado a brutalidades ou crimes.

Quando você não está fazendo mal a alguém (e veja bem, alguém ter suas expectativas injustas frustradas quando você não é o que alguém queria que você fosse não está incluso em fazer mal), seu estilo de vida será muito mais rico se contemplar tudo aquilo que te aproxima dos seus valores e parâmetros de realização pessoal.

Mas, partindo para algo “mais simples”, a busca por aprovação não está presente apenas em partes do cotidiano em que estão em jogo relações familiares, como quando alguém teme abraçar sua orientação sexual por medo do que a família diria. Conheço pessoas que, por vergonha, não levam sobras de alimentos para casa quando não consomem toda a refeição em um restaurante. Conheço outras que preferem desembolsar dinheiro e pagar alguém para fazer coisas básicas que poderiam fazer sozinhos gratuitamente, apenas para não fazerem o que não acham nobre o bastante ou chique (socorro). Seja no estilo de se vestir, na forma de falar, no comportamento, nas escolhas, estamos sempre preocupados com o que vão pensar.

De que isso nos serve?

É precioso o tempo que perdemos tentando agradar uma abstração de pessoas (que eu chamaria de manada) e deixando de agradar a nós mesmos e a quem nos enxerga com bons olhos da forma que somos realmente.

A aceitação só nos serve quando vem de nós mesmos. Caso contrário, apenas nos sufocamos e negligenciamos tentando alcançar uma aprovação fora da realidade.

Por fim, deixo uma imagem que nos serve como uma ótima analogia para essa aprovação inalcançável, já tratando de outra absurda forma de não aceitação.

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Trecho do filme Estrelas além do tempo.

É isto gente, tenham bom senso com os coleguinhas.

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