Hoje vou contar um pouco da história da minha relação com o dinheiro. Nunca fui uma pessoa gastadora, compro apenas as coisas que reconheço ter um bom custo-benefício e, como vocês já devem ter percebido, gosto muito de guardar dinheiro pensando no meu futuro.

Lá no nosso primeiro Podcast, eu comentei que comecei o meu interesse em investimentos após finalmente completar 18 anos e ter a responsabilidade de uma Poupança que foi criada quando nasci. Não era um grande valor, mas sabia que foi algo construído desde que eu era bebê e não queria destruir tudo isso comprando tralhas ou gastando com besteiras.

Logo pesquisei um pouco sobre investimentos e coloquei todo o dinheiro em uma aplicação que rendia um pouco mais, uma LCA de um grande banco. Durante minha época de faculdade, estava mais preocupado em me formar do que com esse dinheiro, por isso ele ficou parado por lá por um bom tempo.

Além disso, graças a um excelente professor que tive em uma disciplina de Educação Financeira (sim, eu estudei Educação Financeira na Faculdade), eu comecei a me interessar cada vez mais pelo assunto. Receber aluguéis, conhecer payback descontado, calcular valor futuro, mexer na HP 12C, eu gostava de tudo isso, muito mais do que criar aplicativos, gerenciar banco de dados ou gerenciar redes de computadores.

Perto de me formar, consegui o meu primeiro estágio. Ganhava R$400,00 por mês, consegui juntar boa parte desse dinheiro e comprei alguns luxos (videogames) que tenho até hoje. Quando me formei veio o baque:

Estou desempregado, não tenho dinheiro! Vou morar na rua, morrer de fome, serei sustentado pelos outros e vou morrer sem aposentadoria.

Claro que tudo isso era um exagero da minha cabeça, mas era um medo que eu tive de verdade. Não durou menos de 1 mês. Logo estava empregado e ganhando um excelente salário de R$2.880,00 (era excelente mesmo).

Aí a festa da mão de vaca começou.

Minha família logo dizia: “Wagner consegue juntar mais dinheiro do que ganha” (não, não estava fazendo nada ilícito). E a fama de “mão de vaca” e “rico” começou a se proliferar no trabalho.

Eu ganhava este salário mas continuava com o medo de perder tudo a qualquer momento. Conseguia investir mais de 90% desse salário em aplicações de Renda Fixa de grandes bancos e, em torno de 2 anos, estava com uma boa quantia guardada.

Foi aí que conheci o site Clube dos Poupadores. Devorei todos os artigos do site em questão de dias, vi o quanto eu estava deixando de ganhar aplicando meu dinheiro nos grandes bancos e no grande pecado que fiz criando um plano de Previdência Privada, erro que me custará muito dinheiro por muuuuuuito tempo.

Mas é como dizem: “Na vida ou você acerta, ou você aprende”

Antes de abrir conta em uma corretora, questionei a idoneidade delas a alguns amigos e colegas de trabalho que já fizeram investimentos. Na época, poucas delas tinham taxa de custódia zerada para o Tesouro Direto. Comecei a transferir meus investimentos e vi como, de fato, os juros recebidos eram bem maiores nessas instituições. Eu ainda tive a “sorte” de ter feito isso na época em que a SELIC estava na sua máxima histórica. Consegui investimentos de longo prazo com excelentes rendimentos que perduram até hoje.

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Taxas encontradas no Tesouro Direto em Jan/2016. (Fonte: InfoMoney)

Também notei que eu “tinha gosto pela coisa”, sempre ficava de olho em Fundos de Investimentos, estudava as minúcias de cada um dos títulos públicos e privados e muitos amigos e colegas começaram a “se consultar” comigo sobre investimentos. Comprei livros específicos de cada assunto e continuei aprendendo via sites, blogs e vídeos.

Ainda bem que o Clube dos Poupadores me ensinou logo cedo: “Ninguém cuida melhor do seu dinheiro do que você mesmo”. Eu apenas respondia dúvidas sobre o funcionamento de investimentos, nunca sobre quanto investir.

Estava tudo se encaminhando bem na minha vida financeira até o fatídico dia na Bolsa de Valores. O “Joesley Day”, o dia que a bolsa caiu 12%. Enquanto uns entraram em total desespero, eu fiquei sedento para entrar na bolsa. As empresas estavam na promoção. Mas sabia que esse território era muito perigoso, eu precisava de um mapa.

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O gráfico do ibovespa no “Joesley Day” (Fonte: Cointimes)

A única coisa que eu sabia era que eu queria receber dividendos, queria ganhar dinheiro vivendo na maciota.

O resto era breu: como selecionar empresas, como montar uma carteira, como utilizar o home broker, como declarar Imposto de Renda, quanto investir, etc.

Também tive a sorte de me deparar com o criador do site Guiainvest, André Fogaça. Ele é um dos defensores do método “Buy and Hold” e afirma que qualquer outro método é certeza de maiores riscos, estresse, incertezas e perdas. Não queria ser daqueles que vivem pregados na cotação das ações e notícias (apesar disso eu continuo vendo, pois gosto muito). E vi uma oportunidade de aprender com ele em um de seus cursos. O aprendizado não foi em vão. Entrei na bolsa antes dessa grande onda de otimismo e consegui virar sócio de boas empresas por um preço relativamente baixo.

Meus investimentos ainda não estão do jeito que eu quero, recentemente coloquei tudo em uma planilha e vi como minha carteira (seleção de empresas que sou sócio) está bem desequilibrada.

Esse é o meu ponto fraco, não gosto de planilhas, planos, gráficos e tabelas. Mas depois que botei tudo no Excel, vi como tava tudo desregulado. Agora estou pacientemente seguindo o plano que tracei até Junho/2020.

Perceber que planilhas, planos e gráficos funcionam foi o melhor acontecimento da minha vida financeira neste ano. Não subestime a força que uma planilha bem traçada tem.

Enfim, sempre tive uma boa relação com o dinheiro. Às vezes ainda tenho meus surtos de mão de vaca, porém hoje vejo que para o Wagner do futuro viver na maciota, o Wagner do presente vai ter usufruir de prazeres de curto prazo, vai ter que comprar aquele Gelato depois de almoçar com noiva e amigos, aquele jogo que acabou de sair, aquela TV 4K de tanta polegada que o rack fica penso, e também comprar o imóvel que tenha o melhor custo-benefício.

Espero que essa breve história tenha inspirado você a aprender sobre as regras do dinheiro, não apenas sobre investimentos. Esses mudam, mas as regras são as mesmas desde sempre.

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