[Este texto trata de temas sensíveis. Caso você possa se sentir abalado emocionalmente, não continue a leitura.]

Estou com esse texto salvo no meu computador há um bom tempo, e após pensar bastante em como abordá-lo, percebi que nada seria melhor que apenas postá-lo para passar a mensagem por completo.

Esse texto é do usuário @wigvan do Twitter:

Trabalhei 10 anos com vítimas de estupro e uma das coisas que aprendi foi que todo mundo diz como a vítima deve agir.

Se é frágil, está se vitimizando.

Se é forte, seu discurso é colocado em dúvida.

Se segue a vida, deve ter gostado.

Se tem bloqueios, tem que se tratar.

Se fala sobre, quer chamar atenção.

Se não fala, não deve ser verdade.

Se chora quando fala, está presa ao passado.

Se não chora, é porque “dissociou”.

Se luta pela punição do agressor, está só fazendo mal para si mesma.

Se prefere deixar para lá, está sendo irresponsável.

Não há um jeito certo de se lidar. Pessoas são diferentes e reagem de formas diferentes.

Nós sabemos disso, mas preferimos criar um jeito de fazer com que a vítima nunca fale para não termos nossa ilusão de segurança abalada.

E esse silêncio só beneficia os agressores.

Se em algo agressivo e complexo, como o crime de estupro, a sociedade é incompreensiva com a reação e comportamento de cada indivíduo que passa pela situação, não seria diferente com as situações básicas e menos severas do dia-a-dia.

Essa ideia de que é impossível ter algo a seu favor em um momento tão difícil é algo muito cruel.

A falsa ilusão de que você é mais capacitado para agir diante de uma situação que outra pessoa é a faísca para comportamentos negligentes, desrespeitosos e de violência psicológica. Certamente a outra pessoa não precisa de mais esse inconveniente que você deseja forçar na vida dela.

Se sentir apto a julgar e avaliar, e pior, debochar de atitudes dos outros diante de situações complicadas e emocionalmente desgastantes é, no mínimo, muito prepotente. Só seria possível saber como você agiria se você estivesse na situação. E aquela forma apenas seria a mais adequada para você. A forma que outra pessoa age não é da sua conta e não está sob o seu controle, nem é feita para agradá-lo.

Agir assim beneficia agressores, como o próprio texto menciona. E outros “agressores” dos mais variados contextos são beneficiados a cada atitude de não entendimento. Quando os “agressores” são problemas psiquiátricos, o tratamento é dificultado e estigmas são fortalecidos. Quando o problema é um relacionamento, a pessoa se culpará e não entenderá que a atitude do outro não é reflexo de seu comportamento e sim do caráter de quem age com má intenção. E muito mais.

A cada vez que se sentir no direito de se colocar como jurado da vida de alguém, pense no desfavor que você presta.

Muito ajuda quem não atrapalha.

Boa sexta-feira a todos =)

 

2 comentários em ““Não importa, você nunca estará certo”

  1. “A falsa ilusão de que você é mais capacitado para agir diante de uma situação que outra pessoa é a faísca para comportamentos negligentes, desrespeitosos e de violência psicológica.”

    Acho complexo que isso é bem comum, engraçado como as pessoas se aventuram baseados nessa falsa ilusão e as vezes causam sérios danos achando que estão “Resolvendo” o problema.

    Curtir

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