Ontem eu estava lendo alguns textos sobre educação infantil e me deparei com uma frase, de que não encontrei o autor, que dizia:

Insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

E apesar de eu achar essa frase um tanto quanto… irresponsável, pois o conceito de insanidade nesse contexto é tratado por uma perspectiva que muito me desagrada (acredito fielmente que definições científicas sobre condições patológicas psiquiátricas devem ser respeitadas), resolvi fazer uma pequena alteração na frase para debatê-la:

Fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes é incoerente e improdutivo.

Existe um conceito sobre uma parte comum do comportamento humano que costuma ser chamada de “repetição de padrões”.

A repetição de padrões pode aparecer em várias formas. Seja a perpetuação de um comportamento violento passado de pais para filhos, ou até mesmo a aceitação de parceiros afetivos que sejam violentos por se tornar habitual/normal para a mente do indivíduo. Pode ser a dificuldade na tomada de decisões quando você é induzido a obedecer demais e ter pouca autonomia, o hábito de reprimir emoções ou qualquer prática que é reproduzida com frequência, se adequando a diferentes situações do cotidiano, normalmente atrelados a questões emocionais ou hierárquicas.

Existe uma tendência de que, submetidos a um certo tipo de tolhimento durante o desenvolvimento, apresentamos reações extremas: ou repetimos o que foi observado e aprendido, ou criamos aversão à regra e procuramos viver fazendo sempre o oposto.

As pessoas aprendem e se desenvolvem em ritmos e de maneiras particulares, e mesmo nessa escala extrema, há muitos meios-termos. Repetimos algumas coisas e rejeitamos outras, há muitos aspectos a se considerar. Mas tudo o que parece meio disfuncional em nós começa como um mecanismo de sobrevivência diante da combinação de nossa natureza com o estilo de vida em que somos inseridos.

Bom, após essa tentativa de dar uma breve explicação sobre a provável razão de a frase usando “insanidade” confunde nossa insistência no ciclo de ações fracassadas com uma certa “perseveração” (atenção: diferentemente de perseverança, a perseveração é uma reação repetida de um indivíduo com um transtorno, como o obsessivo-compulsivo), fica o questionamento: como é possível quebrar esse tipo de ciclo?

Os passos são meio óbvios, mas pouco simples de executar.

Aceitação. Não adianta desejar que as coisas ao redor mudem para suprir as mudanças que você não se dispõe a fazer em você mesmo. Nem muito menos se encher de orgulho, porque é impossível crescer e amadurecer sem admitir os próprios erros e tirar algo deles. Aceite as suas falhas e as use a seu favor.

Desconstrução. Toda a nossa personalidade é fruto de inúmeras construções, e boa parte delas acaba sendo bem sólidas. É necessária uma dose de anarquia para ir até as raízes das “distorções cognitivas” e fazer diferente. O frio na barriga e a tensão de fazer algo completamente fora do que sempre pareceu a única alternativa podem ser fortes, mas são fundamentais para abalar essas estruturas sólidas e torná-las mais flexíveis e adaptáveis.

Comprometimento. As coisas em que você acredita passam a mudar constantemente quando você procura questionar e se flexibilizar para sair de um ciclo que parece não permitir que você se mova. Mudar de opinião não é um problema, é um sinal de que você não está estagnado. É importante se comprometer para que suas ações sejam baseadas em suas amadurecidas crenças e princípios, pois até mesmo uma frustração é produtiva quando agimos segundo o que acreditamos. Então é muito importante não “se perder” do que parece mais certo para você e se preparar para aprender muito até ao perceber que não era o melhor.

Como incentivo e provocação para a reflexão, deixo dois artigos aqui do blog para dar aquele empurrãozinho: Com Simba, aprendemos que -> mudar é bom, mas não é fácil <- e um texto mais pessoal que mostra um pouco de onde começou a reflexão sobre quebrar ciclos e tentar remar contra a corrente que nós mesmos alimentamos, pois -> errar é humano e persistir no erro é da nossa natureza <- .

Apesar de nos sentirmos impotentes dentro destes ciclos, apenas nós mesmos podemos buscar ferramentas e adquirir o poder de torná-los finitos.

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