Semana passada, eu fui para a minha sessão de terapia e estava até agora processando e tentando transformar essa história em algo que pudesse ser debatido. Em outras palavras, estava tentando tornar em um texto o turbilhão de emoções que se passavam na minha cabeça.

Há algumas semanas que todas as minhas idas à terapia foram em torno de um único tema. Minha maior “fraqueza” e, consequentemente, meu maior incômodo emocional.

Eis que, semana passada, a psicóloga fez uma analogia para extrair uma boa descrição dos meus sentimentos e achar uma forma de me ajudar. Ela disse:

“Imagine que eu te entrego um cacto pequenininho para você segurar, e aí te convido para ir na recepção tomar um café comigo e observar as pessoas ao redor. O que acha? Como você agiria?”

Respondi que acharia no mínimo peculiar e que teria cuidados para não me espetar e também não causar danos à plantinha.

“Você acha que conseguiria seguir com as atividades de tomar café e analisar o movimento no local?”

“Acho que sim”, eu respondi.

“O que você faria para não se espetar ou derrubar o cacto?”

“O seguraria com cuidado enquanto fazia as outras coisas e, caso necessário, o deixaria de lado ou encontraria algo para proteger minha mão”.

Saindo da parábola, ela me questionou:

“Esse cacto é como o seu incômodo. Às vezes você precisa deixar ele um pouco de lado para seguir com seus estudos, seu trabalho e sua atividades cotidianas. E sempre que for entrar em contato com ele, precisa se proteger. Como você pode se proteger do incômodo para não se machucar tanto?”

“Então, essa resposta é o que ainda estou buscando.”

Rimos um pouco. Eu quase chorei.

A verdade é que muitas vezes eu não consigo encarar o “cacto” como apenas um cacto e ele parece muito mais um porco-espinho, um ser animado que poderia fugir e não estar mais lá quando eu tentar resolver o incômodo ou até mesmo me atacar.

Mas ainda assim, me parece que se eu tiver fôlego o bastante e estiver bem protegida, conseguirei alcançá-lo e não sofrer seus ataques.

Então, eu disse:

“É que às vezes o cacto não é tão pequenininho na minha mão. Às vezes parece uma representação da caatinga em cima dos meus ombros.”

“Eu entendo.”

E eu sigo procurando um jeito de me espetar o mínimo possível.

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