Se você acompanha o mercado financeiro, finanças e Economia em geral, já deve ter visto várias notícias e textos falando que a próxima crise global está cada vez mais perto de acontecer. Isso é verdade. E hoje vou te mostrar algumas maneiras simples de se proteger dos efeitos devastadores das crises que você pode pôr em prática hoje mesmo.

Não é de hoje que recessões e crises econômicas vêm e vão. Enquanto há períodos de rápido crescimento nas economias no mundo inteiro, também há períodos de baixas e perdas. A crise global mais recente ocorreu em 2008 e 2009, e ficou conhecida como “Crise dos Subprimes” nos Estados Unidos e causou impacto no mundo inteiro. Antes dela, houve recessões em 2001 e 1990.

Falo dos Estados Unidos por ser a maior economia do planeta, qualquer crise americana irá refletir no resto do mundo. No começo da década de 1990, a esmagadora maioria os brasileiros estava mais preocupada em saber se o salário daria pra fazer feira da semana (por causa da hiperinflação) do que com crises internacionais. Por isso conhecemos mais sobre a “Crise das Pontocom” no início dos anos 2000 e a dos subprimes.

Veja que há uma certa “constância” de a cada 10 anos uma crise ocorrer, já faz 11 desde a última. E, desde a “Grande Depressão” de 1929, ocorreram várias no mercado americano. Ao meu ver, até as eleições presidenciais acontecerem (em novembro de 2020), o atual presidente dos EUA irá fazer de tudo para segurar a próxima crise. Já depois da eleição…

Veja a imagem abaixo do índice S&P 500, um índice teórico que contém as ações das 500 empresas mais valiosas que têm capital aberto nos Estados Unidos. Cada coluna cinza indica uma recessão.

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Índice S&P500 desde 1928 (Fonte: Macrotrends)

Há algum tempo tenho notado que analistas, economistas e todo tipo de ista estão mostrando que os indicadores de uma nova crise mundial estão cada vez mais claros. Ninguém sabe dizer exatamente quando uma crise começa e nem quando termina, mas há algumas pistas que ajuda a “prevê-las”, como:

  • Taxa de desemprego;
  • Crescimento do PIB;
  • Juros futuros.

A teoria diz que “recessão” se caracteriza por uma retração da atividade econômica por dois trimestres consecutivos, ou seja, PIB trimestral negativo por 2 trimestres seguidos.

Na prática, recessão não significa apenas números na bolsa caindo ou PIB diminuindo, significa que pessoas de verdade estão perdendo emprego e deixando de alimentar suas famílias, contraindo empréstimos a juros altos e piorando a sua qualidade de vida. Hoje ainda há 11,8% de desempregados no Brasil. Não adianta dizer que uma recessão acabou quando o PIB volta a crescer se ainda há um número altíssimo de pessoas sem emprego.

Até hoje, muitos norte-americanos não conseguiram se recuperar da última crise, alguns nunca conseguirão. E também há muitos de nós brasileiros que ainda sentem os impactos da crise e marasmo econômico que o país ainda sofre, mesmo com dados do PIB positivos há vários trimestres.

Se você não estiver preparado para a próxima, você poderá ser, infelizmente, uma dessas pessoas.

A boa notícia é que ainda dá tempo de se preparar. Neste artigo, eu vou te mostrar apenas dois passos que você pode fazer que vão te ajudar, e muito, em períodos conturbados.

Por quanto tempo você conseguiria sobreviver se perdesse o seu emprego hoje?

Demissões em massa é, infelizmente, uma prática comum nas empresas em épocas de crise. Com pouca demanda dos produtos, as empresas terminam sendo obrigadas a demitir pessoas para cortar gastos ou então vão à falência.

Com o que você tem guardado hoje, você consegue manter o mesmo padrão de vida por quanto tempo?

Responda mentalmente essa pergunta e avalie o quão financeiramente preparado você está para a próxima crise.

Essa provocação está diretamente ligada com as duas práticas que irei te mostrar logo a seguir. Elas são as grandes responsáveis na sua capacidade de sobreviver e emergir da crise quando ela acabar.

  1. Crie a sua reserva de emergências;
  2. Pague as dívidas de juros altos e mantenha seu endividamento baixo.

Crie a sua Reserva de Emergências

Não cansamos de dizer aqui no blog a importância de se ter uma Reserva de Emergências. E com certeza você já viu por aí outras pessoas dizendo como ela é importante. Leia dois textos dedicados para a criação e manutenção desta reserva aqui e aqui.

Quanto guardar?

O que muita gente sugere é guardar entre 6 a 12 meses de gastos, incluindo: despesas domésticas, comida, cuidados pessoais, pagamento de parcelas de carro/casa e planos de saúde. Se você morar sozinho(a) e tiver muita “empregabilidade”, 6 meses será o suficiente. Já se você for casado(a) e tiver filho(s), é bom guardar bem mais.

Saiba que esse processo toma tempo, é necessário disciplina e paciência, e pode durar um ano ou mais para guardar essa quantia de dinheiro. Mas acredite: quando você realmente precisar, vai agradecer que ela está lá.

Lembre-se: A proposta desta reserva é usar em caso de emergências, não é buscar grandes retornos.

Pague suas dívidas

Fácil falar, mas difícil fazer. Basicamente, evite qualquer tipo de dívida cara: cartões de crédito e cheque especial, por exemplo. Dívidas como essa podem chegar facilmente a 400% de juros ao ano. Tente se livrar o mais rápido possível de dívidas assim. Se não conseguir pagar o que deve, há aplicativos de celular de empresas que oferecem empréstimos a juros mais baixos, tente trocar uma dívida cara por uma barata (aquela que tem juros mais baixos).

Fazendo isso, você já poderá ter mais espaço para reduzir seus gastos mensais e guardar mais para a sua reserva. O seu “eu” do futuro vai agradecer.

Outro grande fator que vai gerar muitas dores de cabeça no futuro aqui no Brasil é o empréstimo imobiliário atrelado ao IPCA. Recentemente, um banco público que costuma oferecer empréstimos imobiliários, anunciou novas modalidades de juros que podem ser entre 2,95% e 4,95% além da inflação no período.

Se você entende como as crises/recessões funcionam, sabe que são períodos em que a inflação costuma ser mais alta. No ano de 2016, o IPCA foi de 10,67%. Se você tivesse um empréstimo nesta modalidade na época, você pagaria juros de até 15,62%. Uma dívida de R$200 mil reais pularia para, aproximadamente, R$231 mil em 365 dias. Pagar R$31 mil de juros em plena crise econômica não me parece ser muito saudável.

Pense bem antes de fazer esse tipo de empréstimo para comprar um imóvel.

Na próxima semana eu vou te mostrar mais três passos depois que você pode fazer depois que tiver garantido a sua reserva de emergência e diminuído as suas dívidas.

Até lá!

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