No artigo anterior falei um pouco sobre a última queda da Selic e a indicação do governo que mais quedas irão acontecer no decorrer do ano. Hoje vou comentar um pouco sobre uma palestra dada pelo atual Ministro da Economia em um grande evento de uma corretora.

Honestamente, nunca escutei o que o Paulo Guedes falava na época da eleição e nem no começo do governo atual, nunca tive a curiosidade de escutar o que ele tinha para falar, apesar de ter ideais econômicos parecidos com o dele. Mas essa palestra me chamou atenção depois de ver o Clube dos Poupadores comentando sobre ela.

Em um grande teatro lotado de gente (e organizado por uma corretora ligada a um grande banco brasileiro), ele “deu esperanças” de um Brasil mais consciente com seu dinheiro. Deu um panorama sobre a situação financeira do país, falou também sobre Reforma da Previdência e falou que outras medidas seriam tomadas no segundo semestre para mais dinheiro circular na economia (nesse caso, foi o saque do FGTS).

Para ver a palestra completa, clique no box abaixo:

Por causa do seu estilo ácido, ele falou uma frase que tive que discordar plenamente. Veja, não sou formado em Economia, não entendo de gerir finanças de empresas, nem muito menos de um país.

Por volta dos 48 minutos, o ministro fala que os juros futuros devem começar a descer após a Reforma da Previdência. Compelementa dizendo que o Brasil não deverá ser mais o paraíso dos rentistas (aqueles que ganham renda através de juros). E finaliza com a infeliz frase:

Tem que ser o país dos empreendedores, e não dos rentistas. Vai trabalhar, vagabundo!

“Aqui embaixo” os rentistas são pessoas como eu e você, não somos bilionários gananciosos, não demos golpe no mercado financeiro, não somo acusados de lavagem de dinheiro. Somos pessoas que trabalham, cuidam da casa e da família. A gente se sacrifica todos os meses para guardar um pouco de dinheiro para investir em aplicações seguras e que garantam juros compostos no futuro.

Somos pessoas que passam a maior parte do dia trabalhando para ganhar um salário, para daqui a 35 anos se aposentar ganhando uma mixaria. Somos aqueles que pagam planos de saúde porque a saúde pública não funciona. Somo aqueles que rodeamos nossas casas com cercas elétricas porque a segurança pública não funciona. Colocamos nossos filhos em escolas privadas porque o ensino público é precário. Pagamos caro por carros de plástico porque o transporte público não dá conta.

Nós pagamos dobrado por tudo que fazemos no país, ainda conseguimos guardar uma parte do nosso dinheiro pro futuro e ainda somos chamados de vagabundos. Infelizmente, por mais bonito que o discurso do ministro seja, essa frase não poderia ter sido dita de maneira mais infeliz.

Além disso, o ministro estava no palco de uma corretora de valores que só é que é hoje por causa de rentistas que decidiram sair dos péssimos investimentos em bancos para retornos melhores em corretoras.

Qual a grande lição disso tudo? Quem está no poder, independentemente da posição política, continua totalmente alheio à realidade que nós vivemos.

 

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