Às vezes, você precisa se formar para descobrir que quer algo completamente diferente para a sua vida. E aí, você pode perceber também que essa “escolha errada” vai ter que se transformar em um degrau na sua escada para alcançar o que realmente deseja. E você pode descobrir que tirou algo bom de cada um desses momentos em que se sentiu perdendo tempo.

“Mas que início fora de contexto é esse, Carol??”, vocês podem me questionar.

O que eu acho realmente fora de contexto é alguém que acha que passou da época ou “perdeu o bonde” chegar para alguém em uma idade completamente aleatória (eu ouvi essa frase sobre tantos momentos da minha vida) e ditar que, de tantos momentos que passaram e virão, aquele já pode ser eleito o melhor, sem um critério plausível para isso.

“Certo, mas o início continua fora de contexto”, vocês podem dizer. Certo, vamos lá. Tudo começou quando eu estava procrastinando com todo o meu vigor rolando o feed do Instagram até alcançar as profundezas. Eis que me deparo com essa imagem:

Captura de tela de 2019-07-15 17-40-47

E a primeira coisa que eu fiz foi começar a listar mentalmente as etapas sobre as quais as pessoas mais comumente dizem isso e procurar qual teria sido a minha melhor fase:

  1. Sobre a infância. Quem me dera se a maior bronca da minha infância fosse algo que fizesse eu me identificar com aquela música do joelho ralado e tudo mais. Essa história de “só pensava em brincar e nada mais” também não deu… próxima fase.
  2. Sobre a época de escola. Socorro, nenhuma saudade. Próxima!
  3. Sobre a badalação da vida universitária. Então… Próxima!

E antes que eu pudesse me sentir mal por estar reclamando demais da minha vida privilegiada, eu entendi que eu na verdade não poderia eleger nenhuma dessas como a melhor fase, simplesmente porque cada dia da minha vida não foi exatamente muito comparável ao outro, e continua nesse sentido.

Eu até dizia que a melhor fase era agora porque “eu sendo criança podia até não ter boletos, mas também não tinha salário”, mas isso também é algo muito bobo a se dizer.

O que acontece na verdade é que a gente adora pegar uma lupa e observar melhor o que acontece de ruim.

Captura de tela de 2019-07-15 18-04-11

Às vezes nós estamos em um momento em que nos sentimos fracassados apenas por uma perspectiva. E aí é que entra o começo do texto, que foi o que completou a ideia desse texto na minha mente. Eu posso até ter me formado aos trancos e barrancos e depois perceber que não é isso que eu quero para o resto da minha vida. Eu posso olhar para minha infância e adolescência e lamentar cada dia em que eu me senti diferente ou inadequada diante das coisas que me fizeram mal. Mas de cada uma dessas épocas, eu consegui uma peça da construção (no caso eu mesma) para que atingisse esse estágio de agora. E houve momentos ótimos, também.

Na minha infância eu tive acesso a algo de que sou uma completa entusiasta hoje: a educação com base no construtivismo e método Montessori. Também pude construir algumas boas lembranças com minha família.

Na universidade eu fiz amigos incríveis, aprendi muito sobre selecionar companhias e tive a oportunidade de iniciar uma jornada de autoconhecimento que se estende até hoje.

E que conclusão eu posso tirar disso? Isso mesmo, Filipe Ret, você está completamente certo quando diz que o presente é nossa melhor fase. Por mais que não esteja tudo bem, o agora é tudo o que temos. Por mais doce ou amargo que outro momento tenha sido ou por mais sucesso ou medo que você acha que vai encontrar no seu futuro, voltar atrás ou adiantar as coisas não é exatamente possível (a menos que você tenha um DeLorean tunado). A felicidade está relacionada a saber lidar com cada dia. Ela não está em algo que ficou para trás ou que você deseja ter no futuro. E muito menos a tristeza.

Captura de tela de 2019-07-15 18-26-01
Assim como não acredito no maniqueísmo, não acredito que estaremos 100% bem ou 100% mal durante nossas vidas.

Cada dia tem seu ônus e seu bônus. Não aconselhe a futuros pais de uma criança que durmam e aproveitem, porque sono não é cumulativo. Não acredite nem tente fazer alguém acreditar que só tem uma chance de viver algo bom. Não faça uma criança nem mais ninguém achar que a vida é só ladeira abaixo. Como já mencionei em outro texto, a vida é completamente episódica e composta por emoções variadas, complexas e pouquíssima estabilidade.

Não é possível saber em que momento alguém foi mais feliz a menos que a pessoa tenha vivido sua vida por completo e seus últimos segundos sejam dizendo com suas próprias palavras o que foi mais memorável.

Sempre há mais abaixo do fundo do poço, sempre há mais acima do topo do mundo.

Segue a trilha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s