Esses dias vi uma frase e pensei em fazer um artigo em torno dela. Primeiro, ia reafirmar o que ela dizia, mas enquanto construía o texto, percebi que não concordava de todo com a mensagem que ela trazia.

Aeroportos já viram mais beijos sinceros do que casamentos. Paredes de hospitais já ouviram preces mais honestas do que igrejas. A verdade absoluta das pessoas, na maioria das vezes, só aparece no momento da dor ou na ameaça da perda. Portanto, não deixe para depois o que pode ser feito ou dito agora.

É… muitas vezes nós esquecemos na rotina que as coisas podem ser finitas.

Referenciando outras reflexões sobre o fim, nós realmente não percebemos a última vez que brincamos na rua quando crianças, ou quando nossos pais nos pegaram no colo pela última vez e tudo mais.

Mas já parou para pensar que “se nós soubessemos quando seria a última vez, faríamos diferente?” não é completamente verdade? Porque nós sabemos que terá um fim, mas nossa própria natureza nos faz não lembrar disso o tempo inteiro por simples autopreservação. O nosso corpo não suporta a ansiedade e angústia constante em pensar num fim iminente o tempo inteiro. O que oferecemos é muito mais do que isso, é o que temos naquele momento.

Eu sei, pode ser muito frustrante não ter encerrado um ciclo de forma mais doce. Talvez você tenha desejado despejar bastante amor em alguém que se foi mas só conseguiu entregar frieza. Pense bem, você estava fazendo o que podia. E estamos quase sempre em uma via de mão dupla, constantemente entregando algo de nós e recebendo o que vem dos outros.

Você não precisa beijar alguém com a angústia da despedida, nem orar com o fervor do desespero quando a vida não pede essa intensidade. Não somos honestos apenas quando a intensidade do momento é alta.

Um abraço tranquilo ao encontrar um amigo, uma resposta meio atravessada durante uma irritação… tudo isso é honesto e é o que podemos oferecer. Podemos sim nos fazer mais presentes ou trabalhar nosso temperamento. Mas não há verdade absoluta em ações motivadas apenas pelo medo de perder. Nossa verdade é muito mais relacionada ao que realmente estamos sentindo, e isso pode ser doce ou não.

O fim chega, mas enquanto não chega, não precisamos ser mais ou menos do que nós mesmos em constante evolução e aprendizado.

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