Na quinta, e última, postagem da nossa série sobre Títulos Privados, iremos mostrar como funcionam os CRI e CRA. Se você deseja saber como funciona o investimento em empresas privadas, recomendo que leia o primeiro artigo da série antes de prosseguir.

Visão Geral

Você já viu que CDBs e LCI/LCA são títulos emitidos por bancos, que agem como intermediários para operações de empréstimos. Já viu também que LC é um título similar ao CDB, porém emitido por instituições financeiras. E viu que as debêntures são títulos emitidos diretamente pelas empresas para executarem uma novo projeto, seja aumentar sua frota de carros, construir uma represa ou criar uma subestação de energia.

Hoje vou te mostrar as duas últimas modalidades de títulos privados disponíveis no mercado brasileiro.

Os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (Certificados de Recebíveis Agrícolas) são mais duas variantes de títulos privados de Renda Fixa. Afinal, você está emprestando dinheiro a um emissor e espera receber os juros futuros por isso. Eles são bastante parecidos com LCI e LCA, porém funcionam de maneira um pouco diferente, como veremos a seguir.

CRIs e CRAs são emitidos apenas por empresas securitizadoras e não por bancos, ou seja, são empresas que transformam as dívidas de quem comprou e financiou um imóvel na planta em valores imobiliários. Por exemplo, uma empresa transformou o dinheiro que irá receber das parcelas dos imóveis vendidos em títulos. Assim, eles podem ser comercializados entre as pessoas que investem.

Mais uma vez, mostro que sempre há alguém do outro lado trabalhando duro para seu dinheiro render. Nesse caso, são as pessoas que financiam imóveis que contribuem para o dinheiro de quem comprou títulos CRIs crescer ao longo do tempo.

Essa mesma ideia também vale para as CRAs, mas ao invés de ser imóveis, está ligado à produção agrícola.

Rendimentos

Assim como os demais títulos privados, podem ser de três tipos:

  1. Prefixados:
    • Quando você sabe exatamente o rendimento bruto do título no período. Exemplos: 10% ao ano, 9,8% ao ano;
  2. Pós-fixados:
    • Normalmente, atrelados à uma porcentagem da taxa DI (ou CDI). Exemplos: 110% CDI, 101% CDI. Como a CDI pode variar no período de investimento, não se sabe exatamente quais os juros da aplicação.
  3. Híbridos:
    • É uma junção dos pré e pós fixados. Você recebe uma taxa fixa de juros mais uma taxa flutuante, como o IPCA. Exemplos: IPCA + 5,3%, CDI + 1%. Também não é possível saber o rendimento exato por ter uma parcela pós-fixada.

Taxas e Impostos

Ambos os títulos são isentos de Imposto de Renda e IOF. Algumas poucas corretoras ainda podem cobrar por taxa de custódia desses títulos, mas normalmente a taxa é zero.

Prazos

As empresas emissoras são livres para ditar os prazos do investimento. Normalmente, os CRIs e CRAs são investimentos de médio e longo prazo, podendo variar de 2 até 8 anos.

Mercado secundário

É possível comprar e vender títulos de CRIs e CRAs no mercado secundário. Isso quer dizer que você poderá vender o seu título para outras pessoas que desejam comprar caso queira desistir do investimento antes do prazo final.

Mas atenção: esse mercado ainda é muito pequeno no Brasil. Não há tantas pessoas querendo comprar títulos deste tipo. Você poderá não achar compradores ou vender por preços bem abaixo do mercado. Portanto, é um investimento com liquidez, mas você estará à mercê da quantidade de compradores que há no mercado secundário no momento da venda.

Por outro lado, você poderá também poderá adquirir títulos no mercado segundário, aproveitando os preços mais baixos.

Como adquirir CRI e CRA

Veja como o portal de uma corretora oferece a seus clientes esse títulos na imagem abaixo:

Screen Shot 2019-07-08 at 12.16.51.png

Vamos ver o que cada coluna significa:

  • Ativo:
    • O nome do título. Normalmente é composto pelo nome da instituição, mês e ano de vencimento;
    • O primeiro ícone amarelo significa que o investimento é apenas para “Investidores Qualificados”, ou seja, aqueles que possuem pelo menos R$1 milhão investidos;
    • O ícone verde significa que o investimento é livre de quaisquer taxas ou impostos;
    • Já o ícone amarelo mais à esquerda (com uma bandeira) mostra que o título faz parte de uma oferta primária, ou seja, não é do mercado secundário.
  • Vencimento:
    • A data na qual o dinheiro será totalmente devolvido ao investidor. Isso é feito de maneira automática.
  • Rentabilidade:
    • A rentabilidade anual bruta da debênture, por exemplo:
      • Pós-fixado: 97%% CDI;
      • Prefixado: 9,0%;
      • Híbrido: CDI + 3%.
  • Liquidez:
    • CRIs/CRAs podem ser vendidos a qualquer momento no mercado secundário. São investimentos com alta liquidez;
    • O preço da venda será o preço que o mercado está pagando.
  • Juros:
    • Informa quando há pagamento de juros. CRIs/CRAs têm as mais diversas formas de pagamentos de juros: semestralmente, anualmente ou mensalmente;
    • Alguns não costumam pagar juros até uma determinada data, por exemplo: Semestralmente, a partir de 10/07/2019. Antes dessa data não houve pagamento de juros.
  • Amortização:
    • Informa quando há pagamentos do principal investido. Assim como o pagamento de juros, as empresas emissoras podem determinar a periodicidade de devolução do principal investido, não sendo apenas no final do investimento.
    • Segue a mesma lógica da coluna “juros”.
  • Rating:
    • Informa a nota de crédito da instituição emissora. Quanto maior a nota, mais robusta é a instituição;
  • Disponível:
    • Quantos títulos estão disponíveis para serem adquiridos.
    • Esta informação foi incluída recentemente nesta corretora, creio que as demais não divulgam isso.
  • Aplicação mínima:
    • O mínimo de dinheiro que o investidor poderá aplicar no título.

Riscos dos CRI/CRA

É importante saber que CRI/CRA não têm proteção do FGC.

Portanto, o principal risco ao investir nesse produtos é simplesmente da empresa não cumprir o contrato por falta de dinheiro, o chamado “Risco de Crédito”.

Na minha opinião, o investidor comum, como eu e você, tem plenas condições de variar seus investimentos apenas no Tesouro Direto e no CDB/LCI/LCA e conseguir retornos muito bons ao longo dos anos, com muito mais segurança e facilidade de entendimento.

Veja também que boa parte dos títulos CRI/CRA são para investidores que têm acima de R$1 milhão investidos. O pequeno investidor não tem acesso a este tipo de investimento, mas perceba que as rentabilidades dos títulos da imagem acima estão no mesmo patamar de CDBs, LCI/LCA.

Portanto, o investidor terá mais segurança (até R$250 mil pelo FGC) investindo nesses produtos mais simples de entender e com rentabilidades compatíveis. Só recomendo os CRIs e CRAs se você realmente quer dar um passo adiante nos seus investimentos e ainda não está preparado para a Bolsa de Valores.

Resumo

  • São títulos de dívida emitidos por empresas securitizadoras do setor agrícola ou de imóveis;
  • São adquiridos via corretoras;
  • Podem ter rendimento prefixado, pós-fixado ou híbrido;
  • São isentos de IR e IOF;
  • É possível vender esses títulos antes do vencimento no mercado secundário;
  • Não são investimentos cobertos pelo FGC;
  • Não costumam ser a primeira opção do investidor na Renda Fixa. Mais indicado quando se quer realmente diversificar.

Se você gostou da nosssa série de investimentos em títulos privados e gostaria de manter os autores do blog motivados a continuar semeando conhecimento, compartilhe nossas postagens com seus amigos e familiares! Também é possível nos seguir no Twitter (@sovandoamassa), no Instagram (@sovandoamassa) e no WordPress!

E se você tiver dúvidas sobre esses investimentos, poste aqui nos comentários ou nos mande e-mail que nós te responderemos 🙂

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