Esses dias eu estava num momento ocioso, percorrendo o feed de uma rede social e me deparei com uma imagem que iniciava um raciocínio do tipo “Se colocamos uma fruta podre ao lado de uma fruta em bom estado, o mofo de uma estraga ambas. O mesmo acontece com pessoas”.

A analogia pode ser interessante quando pensamos em nos afastar de relações falidas e pessoas que são âncora, aquelas que não nos deixam sair do lugar (aproveitando uma analogia de Nathalia Arcuri).

Porém pessoas não são frutas.

Nem muito menos chaves e portas, mas essa é uma discussão futura.

Pensar de forma tão genérica nos leva a dois erros:

  1. Achar que uma pessoa que não está em boa situação está “podre”;
  2. E achar que o caminho inverso não pode acontecer e a pessoa que está mal não pode melhorar em vez de “nos contaminar”.

Sobre o primeiro, às vezes o estado mental de alguém acaba mesmo chegando em um ponto irreversível. Na maioria dos casos não é, e ainda assim o melhor caminho é seguir em frente sem ela. Mas para alguns casos, só falta uma perspectiva melhor e um bom tratamento. Isso acontece com nós mesmos.

Não subestime uma boa terapia aliada a uma pessoa interessada em fazer a sua parte, sendo esse segundo fator o mais poderoso.

Sobre o segundo erro, é importante lembrar que nós não podemos nos colocar como pessoas perfeitas. Também temos atitudes que apresentam toxicicidade para as pessoas ao nosso redor.

E em outros pontos também podemos influenciá-las e inspirá-las com as nossas boas atitudes, pois nós mutuamente nos causamos efeitos colaterais em nosso convívio.

O esforço de tentar se tornar uma “laranja em bom estado” certamente não permitirá a prepotência de enxergar alguém como uma laranja podre. E também ensinará que tipo de toxicicidade realmente deve ser mantida à distância.

Para dois erros ficam dois desafios:

  1. Reconhecer nossas atitudes falhas, visando estimular nossos bons hábitos. Inspirando as pessoas ao nosso redor enquanto melhoramos nossas próprias vidas;
  2. Encarar as pessoas com empatia e de forma menos genérica. Nós mudamos muito com o tempo, e somos o acúmulo dos dias que vivemos.

E como foi dito antes, não somos frutas. Estamos em constante processo de amadurecimento, de fato, mas nossa complexidade não nos permite estar “prontos para consumo”. Podemos, porém, oferecer um sabor apreciável a quem degusta um pouco de nossa personalidade.

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