Estava divagando essa semana sobre a morte de alguns dos cantores famosos e sobre como eu nunca mais terei a oportunidade de assistir um show conduzido por André Matos, por David Bowie, Chester Bennington e outros músicos que adoro.

Isso acabou fechando uma reflexão que eu já havia começado em torno de uma das minhas músicas favoritas: Space Oddity – David Bowie.

Você pode conferí-la aqui. A música inteira é muito reflexiva, e eu sempre acabo me identificando de forma muito profunda com o Major Tom.

Uma das minhas frases preferidas dessa música é:

Planet Earth is blue, and there’s nothing I can do.

O que é um pequeno trocadilho, pois blue tanto é a cor azul, quanto simboliza tristeza, em inglês. Então, em uma referência à célebre frase do astronauta Yuri Gagarin, que disse que a Terra era azul, Bowie também destaca a tristeza e angústia humana diante da vida, e traz a impotência sentida por Major Tom ao se dar conta destas.

E essa sensação letárgica, angustiada e impotente foi minha companhia (e ainda aparece para visitar) por muito tempo. Meus transtornos psiquiátricos, fundamentados em distorções cognitivas exacerbadas, me faziam desejar profundamente que eu pudesse deixar tudo para trás, assim como o Major Tom (spoiler da música, mas era pra você ter ouvido no link que coloquei. Ainda da tempo, é maravilhosa).

A gente deseja aconselhar o Major Tom a fazer uma terapia e ter força para checar o combustível e voltar ao planeta Terra, falar pessoalmente à esposa sobre o seu amor e tudo mais. Dizer a ele que a gente entende que às vezes a vontade é interromper o circuito e a comunicação, mas que com algum cuidado ele passaria a apreciar o sucesso em acordar e tomar suas pílulas de proteína, em tomar banho e outras coisas simples como cortar suas próprias unhas. E perceber nesses detalhes uma continuidade de sua vida, não uma tortura.

Talvez nunca deixasse de ouvir uma voz o convidando a flutuar da forma mais peculiar possível, observando as estrelas a cada vez que ele vestisse seu traje e fosse cumprir sua missão, mas teria um contato firme com a base de controle para conseguir bravamente deixar a cápsula, e mais bravamente ainda retornar a ela.

Ao voltar para a Terra, durante o descanso de sua missão, ele talvez até encontrasse humor suficiente para rir um pouco de sua situação.

Captura de tela de 2019-06-12 10-53-36

Ou talvez eu só esteja querendo trazer mais identificação entre nós, pensando que ele se sentiria como eu ao não desistir. Aumentando o volume do rádio para ouvir a base de controle, ignorando o chamado do espaço, e pouco a pouco apreciando o pálido ponto azul.

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