Na segunda postagem da nossa série sobre Títulos Privados, iremos mostrar como funciona o famoso CDB (Certificado de Depósito Bancário). Se você deseja saber como funciona o investimento em empresas privadas, recomendo que leia o primeiro artigo da série antes de prosseguir.

Visão Geral

Muito provavelmente você já deve conhecer este investimento, pode ter ouvido falar dele através do gerente do banco ou propagandas de corretoras. Diria que ele perde apenas da Poupança em popularidade na Renda Fixa. Geralmente, o CDB é a primeira opção dos investidores que buscam rendimentos maiores que o Tesouro Direto.

Ao adquirir um CDB, o investidor será credor do banco que o emitiu, ou seja, o banco está devendo dinheiro àqueles que compraram títulos CDB. O banco utiliza este dinheiro captado para realizar as mais diversas operações de empréstimo: cheque especial, financiamento de automóveis e crédito direto, por exemplo. Veja a imagem abaixo ilustrando como funciona esta intermediação:

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Ilustração de como funciona a intermediação de um banco (Fonte: Vérios)

Note a diferença das quantidades de cifrões ($) em cada parte desta figura, o banco remunera seus credores com juros muito baixos e cobra juros altíssimos de seus devedores. Isso se chama spread bancário.

Quais são as diferenças em relação ao Tesouro Direto?

Diferentemente do Tesouro Direto, não há pagamentos de juros semestrais no CDB, o dinheiro só é devolvido para o investidor quando houver resgate (em caso de CDB com liquidez) ou na data de vencimento, quando o dinheiro é automaticamente devolvido para o investidor com o Imposto de Renda já recolhido pela instituição.

Por se tratar de um investimento privado, o banco emissor é “livre” para ditar as regras de data de resgate, quantidade mínima a ser investida, liquidez, etc.

Curiosidade: O rendimento e regras da Poupança são exatamente iguais em todos os bancos.

É importante lembrar que bancos só emitem CDBs próprios. As corretoras têm uma vantagem em relação a eles neste sentido, pois podem atuar como intermediadora de vários bancos menores no mercado. Um banco que tem poucos correntistas, por exemplo, pode vender seus títulos através de uma corretora. Ao invés de ter uma conta em 6 bancos menores, você pode ter apenas uma conta na corretora e comprar CDBs desses bancos.

Posso perder dinheiro no CDB?

Diferentemente do Tesouro Direto, onde é possível ter rentabilidade negativa, no CDB o investidor terá sempre o dinheiro corrigido pela taxa contratada. Não há risco de perdas monetárias em caso de venda antecipada, tampouco a oportunidade de aumentar os ganhos acima do contratado.

Porém, é possível perder poder de compra, dependendo dos indicadores do IPCA e Selic. Mas rentabilidade negativa não é possível.

Como funciona a rentabilidade?

A rentabilidade dos títulos privados está, normalmente, atrelada à taxa CDI, sendo neste caso pós-fixado (leia o primeiro artigo da série que lá explicamos melhor). Porém, ela também pode ser prefixada, assim o investidor saberá exatamente quanto o CDB irá render. E também pode ser híbrida, sendo composta por uma taxa prefixada e uma pós-fixada (IPCA + 5%, por exemplo).

Vale lembrar que a taxa acordada no momento da compra é dada como anual, porém todos os CDBs têm rentabilidade diária. Ou seja, a rentabilidade contratada é “quebrada”em taxas bem menores, e todos os dias úteis o seu dinheiro será corrigido por esta taxa.

Como ter uma rentabilidade maior?

Bancos maiores, por serem empresas mais sólidas, oferecem rentabilidades muito baixas nos seus títulos, podendo até mesmo ser menor que a Poupança. Para obter maiores rentabilidades, será necessário abrir uma conta em uma corretora.

Lá é possível investir em CDBs de bancos médios e pequenos. Só assim o investidor terá a possibilidade de obter maiores taxas de juros.

Lembre-se: O FGC protege contra quaisquer perdas monetárias em caso de falência de banco até o valor de R$250 mil.

Importante: A Poupança tem o mesmo risco do CDB.

Veja a imagem abaixo dos CDBs oferecidos por uma corretora no momento em que este artigo é escrito:

Screen Shot 2019-05-27 at 12.25.40.png

Vamos ver o que cada coluna significa:

  • Ativo:
    • O nome do título. Normalmente é composto pelo nome da instituição, mês e ano de vencimento.
  • Carência:
    • Informa até quando o dinheiro fica “preso” na aplicação. Se esta data for igual a data de vencimento, o CDB não tem liquidez.
    • O CDB “1” da imagem poderá ser resgatado a qualquer dia a partir de 28/05/2019;
    • Já o CDB “2” da imagem só poderá ser resgatado no vencimento, não tendo liquidez.
  • Vencimento:
    • A data na qual o dinheiro será devolvido ao investidor. Isso é feito de maneira automática, a corretora ou banco já irá recolher o Imposto de Renda automaticamente.
  • Taxa:
    • A rentabilidade anual bruta do título, por exemplo:
      • Pós-fixado: 108% CDI;
      • Prefixado: 9,7%;
      • Híbrido: IPCA + 4,55%.
  • Juros:
    • Informa quando há pagamento de juros. Neste caso, apenas no vencimento.
  • Amortização:
    • Informa quando há pagamentos do principal investido. Neste caso, apenas no vencimento.
    • Estas duas últimas colunas só serão importantes para Debêntures.
  • Rating:
    • Informa a nota de crédito do banco. Quanto maior a nota, mais robusta é a instituição;
    • Note que os CDBs “2” e “3” não têm notas de agência. Provavelmente, o banco emissor é uma instituição ainda pequena;
    • Independentemente do rating, o seu dinheiro estará protegido pelo FGC.
  • Agência:
    • Informa o nome da agência responsável pelo rating da coluna anterior.
  • QTD mínima:
    • O número mínimo de títulos que o investidor pode adquirir.
  • Preço:
    • O preço unitário de cada título.
    • A multiplicação destas duas últimas colunas informa ao investidor o mínimo de dinheiro que ele poderá aplicar no título.

Então quer dizer que tenho que ter muito dinheiro para investir em CDB?

Esse é o ponto que pode parecer desvantajoso para muita gente. Para os bancos, as pessoas valem o quanto elas têm no bolso. E há muitos CDBs com investimento mínimo surreal para o pequeno investidor, já vi alguns com mínimo de R$1 milhão.

Busque uma corretora que te ofereça as melhores opções pro seu bolso. Se alguma requisitar investimentos mínimos muito altos para você, considere procurar outra que melhor atenda às suas necessidades.

Não seja fiel ao seu banco/corretora, isso pode te custar muito dinheiro.

Note também que investimentos mais longos oferecem as melhores taxas de retorno, assim como aqueles que não tem liquidez também oferecem juros mais altos.

Quanto tempo demora para investir e resgatar?

Investimentos em CBDs costumam ser executados no dia seguinte à ordem.

Quando você decide comprar um título de CDB, uma ordem é criada para que o sistema da corretora/banco e do CETIP possa vincular seu CPF ao investimento. Essa ordem será executada na manhã seguinte, inclusive já há ganho de juros no primeiro dia de aplicação.

Quando houver resgate, antecipado ou no vencimento, cada corretora/banco tem suas regras próprias. Alguns bancos depositam o dinheiro na conta corrente automaticamente, enquanto algumas corretoras necessitam de 1 ou 2 dias úteis.

Simulando um investimento em CDB

Agora iremos te mostrar como simular uma compra de um título CDB usando ferramentas disponíveis atualmente na internet. Infelizmente, nunca vi simuladores de CDBs atrelados à inflação, apenas prefixados e pós-fixados. Vamos simular a compra de alguns títulos mostrados na imagem anterior.

No caso do prefixado, temos:

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Simulação realizada no site Clube dos Poupadores.

É necessário apenas preencher as linhas 1, 2, 3 e 5 e a tabela irá calcular todos os outros dados. Veja que esta aplicação do exemplo tem, aproximadamente, 1765 dias úteis e a taxa contratada de 9,7% ao ano é quebrada em taxas diárias de 0,0323% ao dia. Descontando o Imposto de Renda, o investimento teria uma rentabilidade de 77,59%,  totalizando R$8.879,35 na data de vencimento.

Já no caso de um CDB pós-fixado, temos:

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Simulação realizada no site Clube dos Poupadores.

Neste caso, não é possível saber com exatidão o quanto o CDB irá render, já que não sabemos qual será a taxa DI no período. Eu preenchi com o valor atual e podemos ver que o investidor teria uma rentabilidade líquida de 12,14% durante todo o período da aplicação, resultando uma quantia de R$11.213,63.

Utilize estas duas ferramentas para fazer uma projeção de quanto seu título irá render, os simuladores de investimentos são ferramentas poderosíssimas para o pequeno investidor. Use-as com sabedoria para escolher o melhor investimento.

Uma maneira simples de descobrir a rentabilidade bruta de qualquer investimento atrelado ao CDI é fazer uma conta simples. Veja:

  • 96% CDI => 0,96 x CDI
  • 110% CDI => 1,10 x CDI

Desta maneira, apenas usando uma calculadora é possível ter uma ideia da taxa de juros bruta do rendimento.

Lembre-se: Constância de aportes periódicos é mais importante do que a busca incessante por melhores taxas de juros.

Como comprarar com o Tesouro Selic?

Essa é um tópico inevitável quando se fala em CDB. Sempre queremos compará-lo com o Tesouro Selic. Não fique tão preso a esta comparação, pois se trata de investimentos com níveis de risco diferentes e, muitas vezes, com liquidez e datas de vencimento diferentes.

A grosso modo, o Tesouro Selic tem uma rentabilidade bruta de, aproximadamente, 97% do CDI. Na minha opinião, o mais importante a se considerar com esta informação é:

Se algum CDB render menos que 97% do CDI, é melhor investir no Tesouro Selic.

Sabendo disso, faria sentido investir em um CDB com liquidez diária que rende 91,5% do CDI?

Pense nisso.

Resumo

  • São títulos emitidos por bancos;
  • Bancos usam o dinheiro captados para efetuar empréstimos;
  • Bancos oferecem apenas CDBs próprios;
  • Bancos são livres para determinar a data de vencimento, liquidez e taxa de juros para seus títulos;
  • Corretoras podem oferecer CDBs de vários bancos diferentes;
  • Bancos pequenos e médios oferecem taxa de juros maiores para o investidor;
  • Há CDBs prefixados, pós-fixados e híbridos;
  • Normalmente, é necessário investir uma quantidade mínima de dinheiro;
  • Se uma corretora oferecer quantidades mínimas muito altas, procure uma corretora mais atraente para pequenos investidores;
  • Use ferramentas online gratuitas para simular investimentos.

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O próximo artigo da série será sobre LCI e LCA. Até lá!

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