Desde o início do blog, eu venho tentando escrever este texto e sempre aparece mais uma peça para eu juntar a esta reflexão. Tudo começou com uma conversa um tanto quanto peculiar que tive com minha prima: Por que a Dona Aranha da música é teimosa e desobediente, em vez de obstinada e persistente? Particularmente, eu acho que ela erra em nunca mudar a própria estratégia.

A reflexão de hoje é sobre como nós “batemos a cabeça na parede” inúmeras vezes, apenas por não nos deixarmos virar para outro lado, por não pensarmos em outra abordagem. Sobre como insistimos em algo falido como se fôssemos vencer o novo objetivo pelo cansaço.

Para ilustrar melhor, vou dividir em pequenos contos:

A empresa

Era uma vez uma empresa, e os superiores nessa empresa compreendiam e acreditavam na cultura que estavam construindo. Por outro lado, nem todos os funcionários que contratavam conseguiam entender bem as ideias deles. Faltava clareza e comunicação. Quando os superiores eram questionados, eles diziam que aquilo não era cabível, pois nada tinha a ver com a cultura da empresa. E os funcionários continuavam distantes de compreender os seus papéis e responsabilidades. Assim, o ritmo e a produção não iam bem, pois os funcionários, partes importantes das engrenagens do negócio, não tinham o empenho desejável para executar seu trabalho. Dia após dia, os funcionários trabalhavam sem motivação, afinal, não compartilhavam da crença dos superiores na cultura do lugar, então muitos foram para outros ambientes de trabalho, buscando um ambiente mais transparente e inclusivo. E foi assim até que a empresa faliu.

Praticar o empreendedorismo é basicamente aprender a se adaptar e a sobreviver aos erros, tirando sempre uma lição deles e se tornando mais resiliente para os próximos. Quando o sistema não está funcionando bem, é interessante observar as situações corriqueiras e atacar suas causas, mesmo que pareça que não é sua responsabilidade. E a empresa pode muito bem ser uma analogia 😉

O pai

Era uma vez uma família composta pela mãe, pai e o filho, um rapaz com muito desejo de mudança de vida. O pai da família era alguém muito rígido, e sempre perdia a cabeça pois insistia muito em ordens que o filho sempre descumpria. E a rotina era um ciclo de brigas. O pai mandava, o filho desobedecia, eles brigavam e era sempre assim. Ninguém cedia, nem se entendia. A mãe era muito amável, todas as noites conversava com o filho e falava que precisava de colaboração em algumas questões, em que ele prontamente a ajudava. O pai achava que não era amado e respeitado. O filho também se sentia assim com o comportamento do pai.

Provavelmente o pai desejava o melhor para o seu filho. Para isso, acreditava que ser rígido iria torná-lo alguém melhor, disciplinado e o que mais ele acreditasse que era bom para o filho. Visando esse objetivo, ele insistia em sua estratégia, mesmo vendo que sempre falhava. A mãe, com uma abordagem diferente, conseguia liderar e receber atenção e prestatividade do filho. O filho tentava se impor, não permitindo que o pai o desse ordens, mostrando que era um jovem independente. Os três desejavam coisas importantes, legítimas e que acreditavam ser o melhor para si. Apenas a mãe havia encontrado uma estratégia de sucesso, enquanto os outros dois insistiam em falhar de forma conjunta apenas por não se permitirem abrir mão e abordar o problema de outra maneira conjuntamente.

As histórias anteriores abordaram aspectos da vida profissional e pessoal das relações humanas, mas podemos também errar diariamente e repetidamente com nós mesmos.

Pensar sobre a natureza humana é uma das coisas que mais tem me ajudado a superar dificuldades e bloqueios emocionais. E ando pensando muito sobre tudo que pertence a ela, mesmo os assuntos mais delicados, como dor e morte. Para lidar com as minhas próprias falhas, andei pensando bastante sobre culpa, arrependimento, aprender com os erros e sobre a (quase incontestável) máxima de que estamos nesta vida para evoluir. Afinal, somos todos cheios de defeitos, mas também podemos encontrar vários mecanismos para superá-los. E só em tentar melhorar, já progredimos.

A jornada para longe da zona de conforto

Era uma vez uma moça otimista e esforçada. Como alguns de nós, ela precisava de terapia. Mesmo acreditando que poderia ir longe, não conseguia aceitar suas características (físicas ou não), nem apreciar suas qualidades e nem ser compreensiva com seus defeitos e erros cometidos. Se culpava muito por todas as suas falhas, mesmo sabendo que eram naturais e nem todas eram tão importantes assim. Culpava-se até pelo que não era errado, pois tentava agradar sempre a todos, sem saber que não era possível. Viveu por muito tempo os seus altos e baixos, e às vezes os baixos eram realmente muito baixos. Por anos, se deixou de lado por diversas razões, perdeu muito de seu otimismo e motivação, mas um dia abriu os olhos e resolveu tomar uma atitude.

Em primeiro lugar, iniciou o seu tratamento com uma psicóloga muito bacana. Lá, ela pôde colocar para fora muito do que prendeu por tanto tempo. Conheceu a si mesma e abraçou sua personalidade. Percebeu que apenas as atitudes e crenças podem ser mudadas, porém a essência deve ser respeitada.

Deu alguns passos iniciais, que fizeram toda a diferença para a sua felicidade e bem estar.

1º Passo: Aprendeu a dizer não

Tentar agradar a todos definitivamente não é o segredo do sucesso, muito pelo contrário. Não é necessário nem prudente tentar viver de acordo com as crenças, desejos, críticas e opiniões dos outros. Obviamente, precisamos respeitar suas individualidades, mas devemos começar respeitando a nossa própria. Ela aprendeu a dizer “não” quando tentaram tomar decisões que só cabiam a ela mesma, quando acharam que ela deveria dar satisfação sobre sua vida pessoal, e mesmo quando simplesmente não desejou se doar naquele determinado momento. Afinal, fazer algo com boa vontade é muito melhor do que fazê-lo porque simplesmente parece ser a sua obrigação social.

Dizendo “não”, percebeu que era muito mais honesta consigo mesma e com os seus, e se sentiu muito melhor.

2º Passo: Cuidar de si mesma

Em sua zona de conforto, ela esperava o dia em que seria genuinamente feliz e satisfeita. Quando abriu os olhos, percebeu finalmente que nunca seria inteiramente feliz, mas que podia viver muito bem se cuidasse de si mesma. Fazer exercícios físicos, aproveitar oportunidades que apareceram diante de si, reconhecer os seus privilégios e organizar sua rotina foram alguns dos pontos de ação.

Meditar sobre diversos assuntos, incluindo seus erros e dores, também é parte disso.

E claro, reconhecendo quantas oportunidades tinha e vendo que elas, somadas à sua força de vontade, eram fonte de coisas incríveis, percebeu que dividir sua sorte era muito prazeroso. Afinal, a muita gente falta o básico, e poder estender a mão para melhorar a vida de alguém é gratificante e motivo de muita alegria.

3º Passo: Tomou as rédeas de sua felicidade

Apesar de ter acreditado por muito tempo que a felicidade significava descanso, tranquilidade e estabilidade, ela aprendeu que a felicidade é um conceito muito pessoal, e que o dela não significava não ter problemas, e sim ser capaz de lidar com eles, e encontrar nas experiências vividas a oportunidade de apreciar o que mais admirava: o quanto as pessoas são incríveis e o universo é complexo e ainda mais incrível.

E assim, deixou os hábitos e crenças a que era acostumada. Aceitou riscos, teve sucessos e falhas, e vem aprendendo com todos eles. Reconheceu que, do alto de seus privilégios, poderia e deveria ser muito útil para as pessoas ao seu redor. E percebeu o quão contínua é essa jornada, pois saímos da nossa zona de conforto, mas às vezes algumas partes dela não saem da gente.

Ainda tem muito que deseja mudar, pois os três passos ainda estão incompletos. Continua tentando agradar demais, ainda peca por desleixo, ainda se deixa de lado, por mais que o faça muito menos. Mas aos poucos vem satisfazendo a si mesma de acordo com o que acredita.

De muitas satisfações recentes, adotou um filho. Não é da mesma espécie, mas saber que aquela vida precisa de seus cuidados e amor a ajuda a tentar ser melhor todos os dias.

photo_2019-05-07_12-01-59
Gil Bala, o bebê mais doidera da mamãe. A companhia da minha jornada.

E de fato, ainda há muito para superar. Já cometi muitos erros, aprendi por mal e, no fundo, no fundo, sei que vou errar de novo, muitas vezes. O que espero é que a cada próximo erro ou acerto, eu me permita mudar um pouco de direção, e não insistir (demais) em algo que não funciona.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s