Hoje o nosso artigo será sobre uma das divisões mais importantes do seu dinheiro: o fundo de emergência. Amplamente conhecido como o fundo de prioridade máxima para os que estão colocando ordem nas finanças, ele ainda deixa muitas dúvidas e gera muito receio nos iniciantes. Aqui vão alguns esclarecimentos.

Entre as perguntas que mais ouço sobre o fundo de emergência, estão:

  1. “R$ XXX,XX é dinheiro suficiente?”
  2. “Onde devo deixar a reserva de emergência?”
  3. “E se eu colocar uma parte do meu dinheiro para patrimônio e acabar precisando de mais do que eu tenho na reserva de emergência, esse dinheiro vai ficar lá bloqueado?”

Primeiramente, a reserva de emergência é como a janelinha que diz “quebre em caso de emergência”. Parece óbvio, e realmente é. Isso significa que ela é exatamente como todas as coisas pensadas para imprevistos: elas sempre estão lá, mas se você não tem um incêndio, dificilmente você vai quebrar o vidro. A reserva é montada para uma internação inesperada, um problema de saúde mais sério, o périodo de desemprego enquanto se busca por outra fonte de renda, um reparo urgente e repentino… Emergências, coisas que não podem ser planejadas por sua incerteza. Diferente da compra de bens e acessórios, de viagens, de melhorias e reformas no ambiente, etc.

Agora, vamos responder os questionamentos.

  1. Pode ser que a quantia X de dinheiro seja suficiente sim, mas que critérios foram usados para essa reserva? Você considerou o tempo que poderia levar para encontrar outro emprego multiplicando seus gastos mensais por esse período? Você considerou o preço de uma cirurgia de apendicite, por exemplo? É importante pensar se você estaria preparado para as possibilidades mais comuns e para algumas mais complexas. Baseado nisso, o valor de cada pessoa pode ser influenciado, por exemplo, por um plano de saúde, ter um gasto mensal menor ou maior ou ter ou não um carro, acompanhado de um seguro de carro. Use papel e caneta para verificar isso e achar o valor ideal. Como em todos os outros aspectos da educação financeira, a reserva de emergência que pode ser adequada para uma pessoa pode não ser para a outra.
  2. A reserva de emergência deve ser colocada em um ativo que a proteja da inflação e seja de rápido e fácil acesso. Investimentos com liquidez diária são os mais recomendados, mas o importante é que o indivíduo consiga ter o dinheiro disponível (e sem diminuição no seu poder de compra) no momento da intempérie. A reserva de emergência não vai te deixar rico, não busque um investimento com o mair rendimento possível neste caso. Neste caso, a liquidez é muito mais importante. Veja nosso artigo sobre o Tesouro Selic, ele é uma das opções usadas para este tipo de investimento.
  3. Esse é um dos medos mais comuns que impedem as pessoas de construir um patrimônio: a sensação de que o dinheiro está inacessível e impedido de ser usado. De fato, é interessante que esse dinheiro seja administrado para ser fonte de renda passiva, que é o objetivo de quem deseja construir o patrimônio visando independência financeira. E é por isso que a distribuição do dinheiro deixa parte dele acessível. Para responder essa pergunta, questione-se: “que tipo de emergência poderia exigir mais do que eu planejei e quanto ela custa?” e veja se o seu planejamento realmente foi adequado, já que não cobre essa emergência que você considera possível. Depois questione “se eu deixasse esse dinheiro tão acessível, eu realmente poderia contar com ele na emergência?” e verifique a razão de querer ter em mãos um dinheiro que poderia ser empregado em uma finalidade mais importante.

Existem emergências que não podem ser imaginadas, resolvidas apenas com dinheiro e talvez isso signifique que eventualmente não seja possível se adaptar a alguma coisa. A vida é imprevisível, mas ainda assim é importante estar preparado pelo menos para o que você pode estar. Não é interessante viver se preparando para uma desgraça, mas é interessante ter um plano de ação para ser feito se ela vier, sem perder o foco do plano principal. Pois se fosse algo tão iminente, não se chamaria imprevisto.

Alimente todas as suas reservas de dinheiro com consciência, com uma priorização que é a sua cara e busque se organizar para que as coisas dêem certo caso você viva apenas mais 1 ou mais 80 anos. Lembre-se, o poder de se adaptar é muito mais eficaz do que tentar se preparar para tudo. Mas ter uma carta na manga sempre ajuda na adequação.

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