Hoje trago mais uma citação do livro 12 Regras para a vida, de Jordan Peterson. O trecho foi retirado da regra 8: Diga a verdade. Ou, pelo menos, não minta.

O autor inicia o capítulo contando sua experiência, ainda quando aluno de Psicologia em um hospital de Montreal, junto a pacientes com problemas mentais dos mais variados tipos e graus. Ele costumava contar pequenas mentiras para sair de alguma situação ruim, evitar conflitos ou simplesmente se gabar ante seus colegas e superiores. Mas sua “voz interior” sabia que aquilo era errado.

Certa vez se deparou com um paciente que sofria de paranóia, capaz de notar qualquer súbito traço de sarcasmo ou mentira apenas pelo modo de falar e pela linguagem corporal das outras pessoas, ao ponto de perseguir e ameaçar atendentes de banco e lojas por causa de burocracias e falta de vontade de fazer o trabalho, resultando em inúmeras ordens de restrição contra ele.

Peterson foi capaz de fazer o paciente se abrir com ele apenas contando a verdade curta e direta, sem rodeios, sem “amaciamento” ou mentiras. Ainda relata outras situações, provando que a verdade é sempre o melhor caminho, ao ponto de afirmar que as pessoas medrosas e “invisíveis”, aquelas que tentam sempre evitar o conflito aceitando tudo que é dito, são as segundas nas filas de demissões em empresas, atrás apenas dos “encrenqueiros barulhentos”.

O trecho que mais me chamou atenção no capítulo foi esse:

Se você não se revela para os outros, não vai conseguir revelar para si mesmo. Isso não significa apenas que você suprime quem é, embora também signifique isso. Significa que muito do que você poderia ser nunca será forçado, pela necessidade, a ser revelado. Essa é uma verdade tanto biológica quanto conceitual. Ao explorar corajosamente, ao enfrentar o desconhecido voluntariamente, você reúne informações e constrói seu eu renovado a partir dessas informações. Esse é o elemento conceitual. No entanto, os pesquisadores descobriram recentemente que novos genes no sistema nervoso central começam a funcionar quando um organismo é exposto (ou se expõe) a uma nova situação. Esse genes codificam novas proteínas. Essas proteínas são os tijolos para novas estruturas do cérebro. Isso quer dizer que muito de você ainda é nascente, no sentido mais físico possível, e não será colocado em prática pela inércia. Você precisa dizer algo, ir a algum lugar e fazer coisas para apertar o seu botão de ligar. E se não fizer isso… você permanece incompleto, e a vida é difícil demais para alguém incompleto.

Isso mostra que sair da sua zona de conforto pode ser até mesmo biologicamente bom para você, seu corpo será capaz de construir novas estruturas no seu sistema nervoso e você poderá vivenciar novas sensações e aprender coisas que nem sabia que não sabia. Tudo isso causado apenas pelo poder de falar a verdade, dizer “não” para seu chefe, para alguém que lhe incomoda periodicamente no seu trabalho, na sua casa, na sala de aula ou ainda negando o status quo, aquilo que você foi programado para fazer. E dizer “sim” para as coisas boas da vida, sair com os amigos, deixar o trabalho se não se sentir satisfeito e fazer o que te deixa feliz.

A vida é difícil demais para alguém incompleto. Procure e aperte seu botão de ligar.

Um comentário em “A vida é difícil demais para alguém incompleto

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