Educação Financeira é um dos meus assuntos favoritos. Tenho debates frequentes sobre o assunto e percebi que há um padrão de reações quando tocamos em alguns pontos do tema. Por exemplo, sempre que eu falo que poupo e invisto, algumas pessoas demonstram preocupação sugerindo “Mas você tem que deixar um dinheiro para se divertir também”, como se meu hábito fosse mal planejado ou algum tipo de ingenuidade me impedisse de aproveitar o meu dinheiro. Ou quando falo que não acho necessário gastar centenas de reais de sexta a domingo toda semana para me divertir e sempre há alguém relacionando isso a desperdiçar coisas essenciais, como passar tempo de qualidade com a família e os amigos. Como digo a todos, Educação Financeira e mesquinhez caminham em lados opostos. Partindo desse princípio, a ideia deixa de ser sinônimo de privação.

Muitas vezes, quando alguém me pede alguma dica de organização financeira e eu indico separar seu dinheiro em partes desde o começo do mês, evitar se endividar, investir e limitar o dinheiro livre (aquele para diversão e prazeres de curto prazo), ouço respostas como “Ah, isso não dá pra mim” ou “Eu não vou deixar de viver para ter dinheiro, passo no cartão e divido que fica mais suave e eu aproveito”. Para quem fala esse tipo de coisa, realmente acredita nisso e sabe lidar com as consequências, tudo certo! Você não precisa de conselho de ninguém. Para quem fala e vive isso, mas reclama que o dinheiro não sobra ou está endividado, é hora de repensar sua vida e prioridades. O dinheiro não tem sozinho o poder de sobrar, então esse tipo de expectativa não deve ser depositada nele. É importante refletir e confirmar se as crenças que você tem realmente estão sendo produtivas para você.

Como foi conversado no 1º Podcast do blog e na postagem sobre como começar sua Educação Financeira, colocar toda a sua movimentação financeira no papel, ter controle sobre ela e dividir seu dinheiro em pilhas dedicadas às coisas que importam para sua vida são os passos básicos para começar. E nenhum deles, se bem executado, vai impedir você de viver. Nada impede que você faça uma pilha para diversão e uma para investimentos.

Planejar (que é diferente de estagnar) seus gastos é um meio simples e eficiente de conseguir fazer o que você deseja, se cuidar, se presentear e não passar aperto depois. Começar a juntar com antecedência para fazer aquela viagem, proteger o dinheiro da inflação e pagar o que você quiser a vista será uma experiência completamente diferente de dividi-la em 12 vezes. Você fica mais protegido de imprevistos quando se organiza do que quando deixa o dinheiro e o crédito livres, por mais que muita gente não enxergue isso. Além disso, viajar e voltar para casa sem dívidas é uma tranquilidade indescritível. Um ótimo exemplo disso é a família que juntou 6 mil reais em moedas e realizou o sonho de viajar, tudo a vista. Muito provavelmente você pode, e consegue, fazer isso, inclusive trocar essas moedas aos poucos e ir colocando em um investimento de liquidez diária, para aproveitar os juros, enquanto junta para seus objetivos.

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Monique e sua família, em Maceió. A felicidade de quem cultiva bons hábitos.

E a pilha de diversão não precisa ser apenas voltada para viagens. Jantares, passeios, um dia no spa, um mimo que você compra para você ou sua casa, ou qualquer coisa que você chame de “viver” deve estar inclusa nesse pacote. Seja organizado e paciente, se desfaça do que não precisa (dá para ganhar dinheiro assim também), deixe de gastar com coisas desnecessárias e o principal, deixe de gastar mais do que realmente tem. Você pode achar normal fazer isso por estar muito habituado, mas não é difícil demais se organizar. A única dificuldade é começar, como na maioria dos bons hábitos, mas o lado bom disso é que só depende de você.

Quem poupa tem, quem investe multiplica e quem faz tudo isso com dedicação realiza os seus sonhos, é capaz de arrastar pessoas e melhorar outras vidas (olha a gente aqui), construir independência, bonança e mansidão, até mesmo em “tempos de crise”. Você não vai deixar de viver por dinheiro, você vai trabalhar sua disciplina, suas finanças e consequentemente viver melhor. “E se acontecer algo e eu tiver perdido tempo juntando?” Se você pensar que é perda de tempo, certamente não administrou da maneira correta para aproveitar a curto, médio e longo prazo. Organize-se de modo que você não se arrependa depois, um pouco de reflexão e com certeza você saberá que modo é esse para você e que arrependimento você acha melhor de lidar.

Seja sábio no que depende de você. No que não depende, não tem o que fazer. Lembrem-se: Todos vamos morrer, imprevisível e inevitavelmente. Mas primeiro, nós viveremos.

Um comentário em ““Eu não vou deixar de viver para ter dinheiro!”

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