Seguir em frente é um esforço diário.

Existem muitas pessoas sofrendo com o desequilíbrio de suas emoções. Para muitos, levantar e cuidar das tarefas mais básicas é uma batalha silenciosa. Mas, finalmente, estamos em uma época em que cuidar da saúde mental está ganhando importância.

 

Resolvi escrever esse texto depois de ler o blog de Tim Ferriss, um empresário, escritor, podcaster e investidor americano. Em uma de suas postagens, ele fala sobre 9 hábitos que devemos parar imediatamente, os entitulando de “The Not-To-Do-List” e mencionando que listas do que não fazer são bastante efetivas para melhorar a nossa performance, pois o que você não faz determina o que você pode fazer. (Confira o post aqui.)

Diante disso, para complementar todas as opções que debatemos sobre como melhorar a produtividade, percebi que era importante também falar sobre deixar para trás. Superar relacionamentos abusivos, arrependimentos, rancores, remorsos ou qualquer outra amarra pode ser difícil, mas permanecer alí é bem mais desgastante e interfere diretamente na produtividade.

Deixando para trás, temos mais clareza, uma carga mais leve para seguir em frente e criamos vagas para colocar no dia-a-dia os hábitos que desejamos mas antes não tinham lugar para participar de nossas vidas e mudá-las para melhor. Escrevi a lista sem uma ordem específica, e sugiro que após a leitura você defina a prioridade que cada item tem de acordo com o seu cotidiano:

1. Pratique a ignorância seletiva.

O seu tempo é valioso. Muitas pessoas têm o hábito de iniciar e encerrar o dia percorrendo feeds de conteúdo irrelevante e esse tempo perdido faz falta para seu autodesenvolvimento. Acompanhar a vida dos outros ou assuntos que em nada se relacionam com a sua própria vida é uma auto-sabotagem de primeira. Deixar de ser escravo do scroll, que hoje em dia é infinito, fará o seu dia parecer maior e mais produtivo, e para muitas pessoas, significará aumentar a percepção sobre a própria vida e enxergar melhor o verde da própria grama, além de ter mais oportunidades de podar as áreas menos cuidadas. Se você quiser saber mais sobre isso, você pode ler este artigo, de Leandro Ávila, que traz uma excelente e assustadora reflexão sobre o valor do seu tempo e as consequências de como você o emprega.

2. Deixe para trás a burocracia para questões simples.

Quase sempre, a melhor maneira de resolver um problema é também a mais simples. As pessoas passam anos sem se falar para não deixar o orgulho de lado e fazer ou aceitar um pedido de desculpas. Mal entendidos duram mais tempo que o necessário por falta de uma simples conversa franca. Culturas limitantes se sustentam por séculos porque as pessoas evitam se questionar. Muitas reuniões poderiam ser resumidas em um e-mail. Não seja metódico com coisas simples e não perca tempo na negação enquanto você pode agir e tornar tudo mais fácil e agradável. Para ilustrar o quanto isso pode ser tolo, vou comparar com um episódio da animação Bob Esponja: o Bob Esponja conhece a Sandy, um esquilo, e passa o episódio inteiro negando sua necessidade de água, motivado pela competição entre animais terrestres e marinhos. Como um animal marinho fora da água, ele não passa bem, mas não procura resolver a própria situação por ter criado uma regra imaginária. No fim do episódio, ele não suporta e se rende, descobrindo depois que poderia ter respeitado sua condição mesmo no mundo da Sandy, fora da água, com uma solução muito simples.

bobesponja

Questione suas regras imaginárias e descubra quantas vezes você poderia se sentir melhor apenas aceitando suas próprias necessidades e removendo obstáculos que você mesmo coloca no caminho.

3. Deixe para trás a vergonha de buscar tratamento profissional.

Apesar de a saúde mental ser um tema sob o holofote, ainda existe um estigma em procurar terapia e tratamento medicamentoso. Não falar sobre os problemas não os fará desaparecer, nem esperar que ele resolvam ir embora sozinhos. Não há nada errado em procurar ajuda, buscar autoconhecimento, se compreender, se perdoar e se cuidar, pelo contrário, se entender é um ótimo meio de trabalhar a empatia e abandonar crenças limitantes que não deixam o seu potencial brilhar. Quem acha que não precisa de tratamento e que isso é fraqueza, provavelmente é quem mais precisa de uma intervenção para amadurecer e desenvolver inteligência emocional. Se abrir é difícil, mas se permitir seguir em frente precisa de abertura, de alívio e de solidez. Iniciar o uso de medicação às vezes é um caminho tortuoso, sonolento e desestimulante, mas seguindo com responsabilidade e acompanhamento de um profissional, a reposição dos neutransmissores pode ser o empurrão que falta para trazer de volta a força parar segurar as rédeas da sua vida. Seja paciente, vença um dia de cada vez, seja constante, persistente e insista em se cuidar e pedir ajuda quando isso não for uma tarefa fácil. Seja bondoso consigo mesmo e com o seu próximo, muita gente precisa só de uma mão estendida ou um ombro disponível para se reerguer. Caso esteja se vendo sozinho e sem saída, o CVV(Centro de Valorização da Vida) realiza atendimentos gratuitos 24h, basta ligar para o número 188.

4. Deixe para trás o medo de errar.

Todo ser humano que tiver a oportunidade de viver bastante cometerá muitos erros. Você pode observar só por um lado e enxergar fracasso nisso, ou você pode usar os seus erros para subir um degrau e ganhar um aprendizado. Se arrepender é meio doloroso e admitir os erros é algo de que a maioria foge, mas a verdade é que a melhor forma de compensar um erro não é tentar de novo até conseguir um acerto, é absorver uma lição antes de dar o próximo passo. Cada escolha em nossa vida significa uma renúncia, e nós nunca saberemos como teria sido se tivessemos escolhido o outro caminho. A boa notícia é que tem bastante coisa em que podemos tentar vários caminhos possíveis se às vezes nos permitirmos desistir do que se mostrou improdutivo. Errar e aprender dá sentido à caminhada, abrace o objetivo de amadurecer, mas claro, não insista no erro e procure ter bom senso nas suas decisões.

5. Deixe para trás o apego a coisas que você prolongou demais.

Você não precisa passar o resto da vida fazendo algo apenas porque já está nisso há anos. Um emprego insatisfatório, um relacionamento que não vai bem, um curso que já passou da metade e não é o que você quer ou seja o que for: tentar outra coisa não é começar do zero, porque foi a experiência que te levou a repensar e apostar em outra coisa que você terá mais motivação para se dedicar. Se alguém te incentiva a permanecer estagnado porque parece muito arriscado sair dalí, lembre-se que a pessoa não calçará os seus sapatos e que apenas você irá lidar com o que vier com cada decisão. Escolha com sabedoria e sem dar satisfações que você não precisa dar. É difícil e pode até ser que a pessoa diga “Eu avisei”, mas você só saberá se tentar. As convicções que você deixa de lado e as atitudes que você não toma podem ser um arrependimento maior no futuro.

6. Deixe para trás as dívidas emocionais.

Esse é um dos tópicos mais delicados da lista. Não é nada incomum que as pessoas deixem passar oportunidades e não corram atrás de seus sonhos por causa de outras pessoas. Não viver o estilo de vida que admira para não desagradar a família, não estudar fora para não ficar longe de alguém, não se permitir momentos de invidualidade para não dizer não aos amigos… a dívida emocional aparece de muitas formas. Uma coisa é importante: a gente abre mão de algumas coisas para manter a qualidade dos relacionamentos que temos e isso é saudável se feito de forma equilibrada, recíproca e respeitando os anseios pessoais e prioridades dos outros. É difícil achar o equilíbrio, mas só em buscá-lo constantemente, o relacionamento já se torna muito mais feliz. Depositar expectativas muito grandes e restritas no outro é deitar sobre um barril de pólvora que pode machucar ambos no futuro. A dívida emocional é o meio mais eficaz para transformar relações em fardos, e mesmo que alguém tenha feito muito por você, ter gratidão e cuidar da relação não requer que você acabe com seus projetos por alguém. A mesma coisa serve para aqueles por quem você fez muito. Quem se anula pelo outro acaba vivendo em amargura e tende a “jogar na cara” aquela dor sempre que se sentir frustrado. Viva e deixe viver.

7. Abra mão de momentos superficiais.

Não adianta de nada visitar os seus avós e passar horas sentado no sofá vendo TV ou mexendo no celular, sem interação alguma. Às vezes é necessário, mas fazer uma viagem com a família e ficar o tempo todo isolado trabalhando não deve ser o único roteiro seguido. A coisa de mais valor que você pode oferecer a alguém é a sua presença, seja a seus filhos, seus pais, amigos ou qualquer pessoa que você deseja manter por perto. Existem filhos que moram do outro lado do mundo que se fazem mais presentes na vida de seus pais do que os que moram na mesma casa, se vendo diariamente. Poucos minutos de interação de qualidade, dedicada e entregue valem muito mais do que horas de solidão em equipe. Procure aproveitar, com frequência e plenamente, momentos de contato verdadeiro, sem celulares, sem tirar fotos, sem distrações, apenas desfrutando profundamente do advento que evoluiu e permitiu a sobrevivência da humanidade por tanto tempo: o convívio.

O título dessa postagem significa “Que as pontes que eu queimar iluminem o caminho”. Queimar pontes significa deixar coisas para trás, acabar com os caminhos já percorridos para não regressar por eles, seguir em frente. Essa é a proposta, queimar as pontes que te puxam para trás para poder ir em frente em busca de novas e melhores estradas, à luz das superações que você conseguiu até aqui.

3 comentários em “May the bridges I burn light the way

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