Quase sempre, quem está no caminho da Educação Financeira fixa uma meta de ter R$1 milhão na conta para finalmente ter “todos os seus problemas resolvidos” e “realizar todos os seus sonhos”. Nessa postagem, vou te contar que não há nenhum segredo em ter essa quantia, basta apenas seguir uma receita de bolo pacientemente que você chegará lá. Nessa postagem irei revelar essa receita.

Mas antes, preciso te apresentar a fórmula matemática que você vai precisar na sua caminhada. É necessário saber como ela funciona, senão tudo que vou mostrar vai parecer um delírio:

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Conheça os Juros Compostos, uma das maiores forças do universo. Pode ser uma grande aliada, quando usada em investimentos financeiros, ou sua maior inimiga, se usada para pegar dinheiro emprestado. Vamos ver o que cada termo significa:

M -> Montante final. O quanto você terá ao final do período;

C -> Capital inicial aplicado;

i -> Taxa de juros, em porcentagem (1% -> 1, 0,5% -> 0,5). Do inglês, interest;

t -> Tempo da aplicação (deve ter o mesmo período de i. Exemplo: i = 0,94% ao mês, t = 12, i = 12% ao ano, t = 1)

Se você lembrar dos tempos de colégio, vai notar que essa expressão é exponencial, ou seja, ela não cresce linearmente ao longo do tempo. Veja o comparativo abaixo com a linha que cresce linearmente dos Juros Simples:

Comparativo Juros Simples x Juros Compostos (imagem retirada do site Clube do Valor)

Até o ano 6, as duas equações andam praticamente juntas, mas após o ano 7 os juros compostos começam a fazer o dinheiro aplicado render cada vez mais em relação aos juros simples, virando uma bola de neve, provando que é preciso ter paciência para os resultados aparecerem.

Todos os empréstimos e aplicações financeiras disponíveis no mercado utilizam a fórmula dos Juros Compostos. É a mesma fórmula que imobiliárias, bancos e concessionárias de carros aplicam quando você financia um produto em 24, 60 ou até 360 meses. Em uma rápida pesquisa na internet, encontrei um carro que tem o preço, a vista, de R$50.090,00, enquanto seu preço, se for comprado parcelado em 36 meses, é de R$63.743,80. Esse aumento expressivo de aproximadamente 27% do preço se dá pela força dos Juros Compostos sendo usada contra você.

Agora que você já conhece a fórmula, podemos juntar os ingredientes da receita de bolo para ter R$1 milhão, são eles:

  1. Dinheiro (C): Para ter mais dinheiro, é preciso ter dinheiro. Ele não brota do nada. Se você quiser grandes quantias, vai ter que começar com pouco. Se você colocar C = 0 na fórmula, o resultado sempre vai ser 0, independentemente da taxa de juros ou tempo;
  2. Juros (i): Para que o dinheiro possa crescer ao longo do tempo, será necessário uma taxa de juros. Quanto maior a taxa de juros, mais o dinheiro irá crescer. É possível obter as mais variadas taxas de juros em aplicações de bancos, corretoras e tesouro direto. Juros mais altos significam riscos mais altos, portanto deve-se tomar cuidado na busca incessante por taxas cada vez mais altas em investimentos disponíveis no mercado;
  3. Tempo (t): Veja que o tempo é o fator exponencial da fórmula, é ele que faz o dinheiro crescer exponencialmente. Quanto mais tempo tem a aplicação, mais o dinheiro crescerá. Como ainda não descobrimos uma maneira de voltar no tempo, a melhor hora de começar a investir é agora.

Para manter a receita da maneira mais simples possível, vou mostrar como ter essa quantia apenas usando investimentos em Renda Fixa, ou seja, produtos financeiros que estão atrelados a emprestar dinheiro a alguém (governo ou instituições financeiras) e, após um período acordado no momento do empréstimo, recebê-lo de volta com um prêmio (juros). Mas saiba que há inúmeras outras maneiras de fazer isso, seja investindo em ações, Fundos Imobiliários, imóveis, empreendendo, vendendo produtos ou serviços, ganhando na loteria, herdando de um familiar falecido, vencendo reality shows na TV, participando de programas de auditório, etc.

A maneira mais simples, fácil, sem estresse e sem dor de cabeça de conseguir R$1 milhão é investindo no Tesouro Direto. Essa é a aplicação financeira mais segura do país, mas como não existe almoço grátis, ela oferece uma rentabilidade baixa em relação a outros investimentos (mesmo assim ainda é maior que a da Poupança). Usando o simulador do próprio Tesouro, podemos simular uma aplicação de um título do Tesouro IPCA+ (título atrelado à inflação e mais focado para o longo prazo) com as seguintes condições:

  • Vencimento em 2045 (15/05/2045), daqui a 26 anos;
  • Aporte inicial de R$500,00;
  • Aportes mensais de R$1.000,69;
  • Rentabilidade do título de IPCA + 4,73%;
  • Taxa de inflação média de 4% (o IPCA no ano de 2018 foi de 3,75%);

Você terá o valor bruto estimado de R$1.191.452,24, uma rentabilidade bruta de 8,94% ao ano, porém terá que pagar uma taxa de administração de R$29.650,36 para a B3, que administra o Tesouro Direto, e o governo tomará de você R$131.275,66 na forma de Imposto de Renda, o governo toma seu dinheiro até quando você está emprestando dinheiro para ele. Restando para você o total previsto de R$999.994,03, resultando uma rentabilidade líquida de 7,85% ao ano. Se você colocar esse dinheiro na Poupança, caso ela continue com as regras atuais, você teria uma renda mensal passiva de, aproximadamente, R$3.714,79.

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Detalhes da simulação descrita acima.

Agora vamos supor que você estudou e se comprometeu com sua educação financeira, fazendo seu dinheiro render 0,75% líquidos ao mês (já descontando impostos e inflação), mesmo no cenário atual de juros baixos ainda é possível achar aplicações em Renda Fixa nas corretoras que tem esse rendimento. O título do Tesouro IPCA+ que simulei logo acima tem uma taxa de juros mensal líquida de 0,6317%. Para ter R$1 milhão em 26 anos, você teria que aportar mensalmente a quantia de R$804,00. Veja o gráfico abaixo:

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Simulação realizada no site Clube dos Poupadores.

Note que nessa simulação que você aportaria “apenas” R$251.348,00, aproximadamente o preço de um apartamento de 30m² em São Paulo (no momento em que esse post está sendo escrito). Os R$749.791,48 restantes seriam gerados apenas de juros, a bola de neve, ou ainda o famoso “dinheiro trabalhando para você” (isso não existe, comentaremos isso em uma postagem futura).

Se você está achando esse valores absurdos, surreais ou utópicos, vamos para uma simulação mais realista. Vamos supor que, ao invés de compulsoriamente “contribuir” para a Previdência Pública, você usasse o dinheiro que iria para esse buraco negro e você mesmo fizesse seu plano de aposentadoria, afinal você é a pessoa mais indicada para cuidar do seu próprio dinheiro. As regras atuais determinam que homens devem se aposentar após 35 anos de “contribuição” e mulheres após 30 anos. Primeiro, vamos projetar o salário líquido de um indivíduo que trabalha sob regime CLT da maneira mais simples possível, usando um valor bruto de R$4.000,00 como exemplo:

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Se você tiver um salário de R$4.000,00 brutos, pelo menos R$619,20 é do governo. (Fonte: Calculador)

Agora vamos simular aportes mensais de R$440,00 em uma aplicação com juros líquidos de 0,7% ao mês (lembre-se que o Tesouro IPCA+ 2045 nas condições simuladas acima rendeu 0,6317% líquidos ao mês). Vamos aos resultados:

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Se você for homem, terá R$1.122.261,25 nas suas mãos após 35 anos.

 

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Se você for mulher, terá R$716.961,31 nas suas mãos após 30 anos.

Perceba que apenas 5 anos de diferença significa um retorno de R$405.299,94 a mais, os juros compostos são muito fortes no longo prazo. Compare também a quantidade de dinheiro investido e o ganho total apenas em juros em ambos os casos.

Essa simulação foi pensando em um dos piores cenários possíveis, pois considerei que você irá aportar o mesmo valor durante 30 ou 35 anos, sendo que, se você investir na sua carreira, seu salário tenderá a crescer, aumentando o valor dos aportes mensais.

A grande vantagem de investir por conta própria pensando no seu futuro, é que esse dinheiro vai pra sua mão, você mesmo vai cuidar dele, poderá gerar mais dinheiro se continuar investindo, finalmente poderá realizar seus sonhos (abrindo um negócio ou viajar, por exemplo) ou simplesmente gastará até o final da sua vida confortavelmente, sem ser tratado como animal em filas, sem burocracias e falta de respeito.

Se você considerar uma pessoa que tenha um saldo bancário de R$1.000.000,00 uma pessoa rica, parabéns! Apenas trabalhando, ganhando salário e pacientemente aportando parte dele pensando no futuro você pode tornar-se um(a) milionário(a)! Assalariado pode sim enriquecer!

Caso os valores simulados ainda estiverem fora da sua realidade, você pode simular quaisquer outros para os três ingredientes que citei clicando nos links disponibilizados.

  • Se não tiver tempo, aporte mais dinheiro ou ache uma taxa de juros mais atraente;
  • Se não tiver tanto dinheiro, aumente a taxa de juros e comece agora;
  • Se não achar boas taxas de juros, aumente os aportes mensais e comece agora.

Também não sinta-se obrigado a atingir a quantia de R$1 milhão, esse valor está sendo usado como exemplo no artigo simplesmente por ser considerado um símbolo de riqueza para muita gente. Na minha opinião, você não precisa desse valor para ser rico, feliz ou realizar seus sonhos.

Aproveite que o Brasil ainda tem a 6ª maior taxa de juros reais do mundo, 2,65% (a reportagem está desatualizada com os valores oficiais de 2018). Isso significa que o Brasil é o 6º melhor lugar do planeta para emprestar o seu dinheiro (investindo na Renda Fixa), mas é o 6º pior lugar do planeta para pedir dinheiro emprestado. Use essa informação a seu favor. Não encare este artigo com mindset fixo, tentando achar dificuldade dos números que coloquei aqui, imagine a seguinte situação: você está entrando no mercado de trabalho agora logo após concluir um curso na Universidade, você tem a oportunidade de ter o montante de R$1 milhão quando estiver na idade dos seus pais. Imagine a situação dos seus pais hoje em dia se eles tivessem essa quantia na conta, tenho certeza que seria bem mais confortável.

Veja que o título do artigo é “Como ter R$1 milhão” e não “Como ser um milionário”. Ser milionário é uma jornada que começa muito antes do que ter essa quantia no banco, requer autoconhecimento, autoliderança, disciplina, paciência, estudos, garra e resiliência e até mesmo pode requerer nem pensar nessa quantia, virando uma consequência do trabalho com inteligência. Conheço alguns milionários que não devem ter essa soma hoje, mas com certeza terão no futuro e quando finalmente tiverem, dificilmente voltarão ao patamar anterior. Vem com a gente se quiser ser um desses!

Um comentário em “Como ter R$1 milhão

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