Anotar seus gastos não trará resultados imediatos. Como tudo na educação financeira, eles demoram, mas se você se dedicar, eles vão aparecer. Enquanto você continua preenchendo sua planilha de gastos, mostrarei alguns dados do quadro atual da Educação Financeira no Brasil.

Em um relatório da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, uma representação das empresas de capitais do Brasil), é mostrado o perfil de 3.374 investidores de todo o Brasil no ano de 2017 (clique aqui para acessar o site do relatório). Essa pesquisa revela alguns dados alarmantes e mostra que ainda temos muito que evoluir na educação financeira. Vamos analisar alguns deles.

Primeiramente, apenas 42% dos entrevistados tinha algum saldo aplicado em produtos do mercado em 2017 e apenas 9% aplicaram algum dinheiro nesse período de um ano. Já chegamos ao primeiro dado alarmante: 40% dos brasileiros não poupam nenhum dinheiro, justificando que usam tudo para pagar contas. Todo o esforço de um mês, ou aproximadamente 176 horas de trabalho apenas para pagar boletos.

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40% dos entrevistados vivem e trabalham só para pagar contas

Analisando a parcela da população que consegue poupar e investir, mesmo que em pequenas quantidades, a pesquisa mostrou que 45% tem ensino superior completo, ou seja, tiveram mais acesso à educação e 51% são da Classe A. Podemos nos perguntar: essas pessoas conseguem poupar por que são da classe A ou são da classe A porque pouparam?

Continuando a análise do perfil das pessoas que pouparam, o relatório nos mostra qual foi o destino do dinheiro poupado: 42% aplicou em produtos financeiros (investimentos) e os 58% restantes usufruíram do dinheiro, seja comprando um imóvel, fazendo uma viagem, pagando dívidas ou aprimorando suas habilidades profissionais em cursos.

Em seguida, a pesquisa tenta medir o conhecimento dos entrevistados sobre finanças e investimentos, foram feitas três perguntas, vou copiá-las aqui para você medir o seu conhecimento atual no assunto:

  1. Você possui R$ 100,00 em investimentos que rendem 2% ao ano. Depois de cinco anos, qual será o saldo da aplicação?
    1. Mais que R$102,00
    2. Exatamente R$102,00
    3. Menos que R$102,00
    4. Não sei
  2. Imagine que o rendimento de seu investimento é de 1% ao ano e a inflação foi de 2% ao ano. Depois de um ano, quanto você imagina que poderá comprar com o dinheiro que ficou aplicado nesse período?
    1. Mais do que hoje
    2. Exatamente o mesmo que hoje
    3. Menos do que hoje
    4. Não sei
  3. A afirmação é verdadeira ou falsa: comprar ações de uma única empresa gera um rendimento mais seguro que um fundo de ações?
    1. Verdadeiro
    2. Falso
    3. Não sei

Se você respondeu 1, 3 e 2, parabéns! Você já tem conhecimento básico sobre finanças e investimentos. Infelizmente, você é a minoria, pois mais da metade dos brasileiros não conhece sobre investimentos nem mercado financeiro. Por isso que, espontaneamente, apenas 45% das pessoas afirmaram conhecer um ou mais produtos de investimentos e 32% citaram a Poupança.

O relatório também traça um perfil das pessoas que tiveram alguma quantia financeira aplicada em 2017. São pessoas que além de pouparem, investiram o dinheiro. Veja os dados:

    • 55% são homens;
    • Em média com 43 anos;
    • 44% possui Ensino Médio e 36% Ensino Superior;
    • 43% pertencem à classe A e B;
    • 85% tem alguma atividade remunerada.

Além disso, a renda média do investidor é 20% maior que a renda média de todos os entrevistados, 52% dos investidores tem carro, contra 44%. E 44% dos investidores tem plano de saúde, contra 35% dos não investidores.

Os dois principais destinos do dinheiro dos investidores são: Caderneta de Poupança e Previdência Privada. Curiosamente, o primeiro é o destino do dinheiro de 89% deles e a previdência é o destino de apenas 6%. Tesouro Direto e Ações é destino de apenas 1%, apesar de serem conhecidos por 43% e 77% dos entrevistados, respectivamente.

A maior motivação do brasileiro para investir é segurança, não como uma maneira de aumentar seus ganhos (renda passiva) ou patrimônio. Enxergam as instituições financeiras como um lugar seguro apenas para não perder seu suado dinheiro. E, em segundo lugar, aparece a busca por retorno financeiro e em terceiro, a possibilidade de sacar o dinheiro assim que precisar, reflexo dos tempos da hiperinflação.

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Montar uma reserva é a principal vantagem, aos olhos dos entrevistados, de aplicar dinheiro.

Ainda há uma parcela do total dos entrevistados (9%) que não enxerga nenhuma vantagem em investir, infelizmente essas são as pessoas mais necessitadas (classe C, sem ensino fundamental e com renda de até dois salários mínimos), que mais precisam conhecer as vantagens de investir.

Boa parte dos investidores ainda buscam informações com o gerente de banco (41%). O papel do gerente do banco não é o de fazer você rico, ele é um vendedor que tem que atingir metas agressivas de venda impostas pelas instituições bancárias, ele não está lá para escolher o melhor para você e sim para o banco. O mesmo vale para os assessores de investimento de corretoras.

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As maiores fontes de informação para decidir onde investir dinheiro

A imagem acima mostra as fontes de informação para decidir o melhor produto para investir. Lembre-se que apenas você sabe o que é melhor para sua vida, não é seu amigo, não é jornalista, nem economista, não é a corretora e nem muito menos os autores deste blog. Encorajo, sim, você a estudar investimentos em sites, blogs e livros, mas na hora de aplicar o dinheiro é o seu dinheiro que está em jogo, só você sabe como melhor utilizá-lo.

Comprar ou quitar um imóvel foi a principal objetivo dos investidores ao poupar dinheiro, afinal estamos vivendo em um país que é possível adquirir imóveis parcelados em até 30 anos, as pessoas querem se ver longe dessa dívida o mais rápido possível. Em seguida, as pessoas poupam para emergências, comprar um carro, fazer uma viagem e investir em um negócio próprio (empreendem).

Do outro lado da moeda, o relatório mostra que 84% dos não investidores não o fazem por não terem guardado dinheiro pelos mais variados motivos: desemprego, baixa renda e problemas de saúde inesperados. E 5% não investe por insegurança. Porém, 51% deles pretende fazer algum investimento ou aplicação em 2018, com o principal objetivo de comprar ou reformar sua casa.

O relatório segue com dados sobre aposentadoria, mas isso ficará para outra postagem. Se você quer ler o relatório completo, clique aqui.

A ANBIMA pretende lançar esse relatório anualmente, assim poderemos ver a evolução do quadro da educação financeira no Brasil. Hoje, acredito que a população tem ainda muito que aprender, achamos que o país está em uma situação muito delicada economicamente mas não temos ideia da quantidade de pessoas que saíram do desemprego ou pobreza para uma vida de empreendedor (veja Rick Chesther, por exemplo), ou quantas empresas cresceram nos últimos quatro anos. Vimos empresas de transportes particulares, pagamentos, aluguel de bicicletas, imóveis, Fintechs receberem bilhões de dólares em investimentos nos últimos anos, temos que buscar a nossa fatia do bolo e para isso precisamos de Educação Financeira.

2 comentários em “O quadro atual da Educação Financeira no Brasil

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