Você já deve ter ouvido alguém falar que não é possível enriquecer e alcançar a liberdade financeira sendo um assalariado. Deve também conhecer as variações dessa frase: “não é possível enriquecer apenas trabalhando”, “só empresário enriquece” e até “trabalhador honesto nunca fica rico”. Tudo isso é sustentado pelo mito de que a riqueza significa a obtenção rápida (e potencialmente desonesta ou fácil) de uma grande quantia de dinheiro, por meio de um prêmio de loteria, esquemas de desvio de dinheiro, herança ou sucesso repentino de uma empresa. Seria enriquecer um fenômeno dependente apenas de sorte?


Cresci ouvindo que trabalhar em empresa como empregado poderia me trazer conforto, um bom salário, um carro, pouca estabilidade e só. Quantas vezes ouvi “É bom fazer um concurso público, não fica rico, mas passa bem”? Também cresci ouvindo sobre as contas mensais e anuais que tomavam todo o orçamento, não sobrando nada para uma reserva de emergência ou um resguardo para o futuro. Apesar disso, sempre fui incentivada a conseguir independência, e durante esse trajeto eu percebi que as mesmas pessoas que me diziam tudo isso faziam escolhas que as levavam à situação em que se encontravam, que por mais que não fosse ruim, não era propícia ao autodesenvolvimento e ao enriquecimento.
Alguns hábitos justificados com a frase “eu mereço conforto” podem impedí-lo de obter conforto mais abundante. Não economizar recursos como água, energia e combustível certamente tornará as contas mais caras. É necessário ligar o ar condicionado todos os dias ou é possível economizar um pouco na conta de energia abrindo a janela em alguma época do ano? É preciso contratar um profissional para fazer a faxina da sua casa ou é possível tirar um dia na semana para que você mesmo cuide disso? Algumas escolhas simples podem significar uma quantidade maior de dinheiro disponível, que pode se transformar em patrimônio em vez de se transformar em dispêndio.
Recentemente, eu estava conversando com alguns amigos sobre gestão de finanças, quando um dos presentes duvidou da possibilidade de enriquecer trabalhando em uma empresa. Essa pessoa não é responsável por despesas relevantes na sua casa e, mesmo com tamanha conveniência para iniciar seu plano financeiro, reproduz narrativas do senso comum que, frequentemente, reforçam a ideia de que o progresso econômico é algo inalcançável para pessoas “comuns”. O que a impedia de poupar, investir e enriquecer de forma lícita através de seu trabalho? Além disso, se a remuneração atual e o emprego em que você está não são exatamente os esperados, por que não investir o que ganha atualmente em cursos, em um negócio ou num outro projeto que possa lhe trazer satisfação?
Crenças sobre grandes obstáculos para o nosso crescimento são, muitas vezes, apenas uma forma de se confortar diante da própria falta de disciplina e organização. Afirmar que é muito difícil chegar lá é o mantra da zona de conforto. O crescimento é um caminho de boas escolhas e sacrifício de excessos. Formar bons alicerces e “subir a escada” com paciência, buscando obstinadamente e de forma íntegra o sucesso que desejamos, certamente trará resultados para sua mente e para seu bolso. Assalariados, vamos enriquecer?

5 comentários em ““Desde quando assalariado enriquece?”

  1. Basicamente eu me encaixo perfeitamente no cara descrito no texto, não tenho grandes despesas (sou bastante favorecido pela vida nesse aspecto) e com certeza poderia focar muito mais na minha capacitação profissional, mas algumas coisas me deixam muito intrigados em relação a isso. Será que poupar um pouquinho por semana vai realmente me deixar mais rico, e se deixar, será que vai ter valido a pena? Pra mim aquela frase “trabalhe enquanto eles dormem” termina com um belo “morra um pouco por dia enquanto eles vivem”. Sou classe média, pelo pressuposto capitalista, minha mão de obra é minha valia na sociedade, não admito ser só um operário movendo essa gigante peça. Adianta de quê viver pra ascender profissionalmente se a verdadeira ascensão que é a de espírito não acontece? Meu objetivo não é poupar um pouquinho por semana, é somar um pouquinho por semana e se essa soma for uma comida nova experimentada ou uma noite de farra com os amigos, que assim seja, não sei nem se estarei aqui daqui a 10 anos, ou pior, se eles estarão. Como diria Ferris Bueller em “Curtindo a vida adoidado”, as vezes a gente tem que tirar um pouco de tempo pra viver senão a vida passa e a gente nem percebe.

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    1. Obrigada por seu comentário. De fato, nunca saberemos até quando vamos viver. Por isso mesmo é importante viver o presente e pensar no futuro, lembrando também que educação financeira não é privação, é evitar excessos visando um objetivo que nos trará ainda mais experiências para somar. Aproveitar e se recompensar é fundamental, sempre vendo o limite entre isso e ser dispendioso. Mas acima de tudo, nossos posts buscam debater as opções que temos. Você SEMPRE terá a opção de empregar o seu dinheiro no que achar mais válido, se prefere viver um dia por vez, sem se preocupar com o futuro, você pode. Se preferir usar o que você tem para fazer o que você pode, também é possível. O que você nunca poderá é mudar as consequências de suas escolhas, portanto, analise suas opções com sabedoria.

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    2. A “presente” do texto fui eu mesma kkkk
      E penso exatamente assim como você, Oliveiros. Gosto de usar meu dinheiro para trazer felicidade e conforto para mim e pra quem eu amo, acredito que esse deve ser o foco sempre. Como não tenho muitas despesas, tenho a sorte de poder fazer isso e ainda conseguir poupar dinheiro, coisa que sempre fiz (eu era conhecida por ser a prima pão-dura kkk). Mas o equilíbrio é a base de tudo, não acredito que economizar alguns reais por semana deixando de sair com um ente querido por exemplo seja uma boa escolha em prol da satisfação e enriquecimento pessoal. Assim como também não creio que você deva gastar todo seu dinheiro como bem entender e não poupar nada. A linha entre o que te faz feliz e o que é excesso é muito tênue, e se manter nela demanda muita responsabilidade e maturidade, coisas que só ganhamos com o tempo!

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      1. Obrigada por comentar! É importante observar que não é encorajado abrir mão de bons momentos e experiências de diversos nichos em nome do dinheiro. Poupar e se organizar não é se privar da vida e ser mesquinho, é exatamente o oposto disso, pois ao tomar boas decisões e desenvolver bons hábitos, você aproveita a vida e multiplica suas opções de bons momentos. Por exemplo, dividir uma hospedagem mais barata com os amigos não irá tirar a diversão de uma boa viagem, mas te permitirá fazer mais viagens do que se você escolher um resort. O que encorajamos nos nossos textos é a busca por satisfação e felicidade a curto e longo prazo.

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